Medo de desgaste de Flávio faz direita recuar na 6x1
Aliados do candidato do PL temem repercussão negativa de ofensiva contra proposta; governo quer votar texto em dois turnos nesta quarta-feira (14)

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência | Divulgação/Vittor Sales
O receio de provocar desgaste à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República fez integrantes da oposição no Senado recuarem da estratégia de tentar barrar a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
Segundo apurou a coluna, parlamentares aliados de Flávio têm conversado nos últimos dias e chegaram à avaliação de que uma ofensiva contra a proposta poderia prejudicar o candidato do PL na reta final da disputa presidencial.
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Com isso, senadores da oposição desistiram de organizar uma tropa de choque para obstruir a sessão marcada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para esta quarta-feira (14).
O cálculo político é que, mesmo defendendo um modelo alternativo de flexibilização da jornada de trabalho, como propõe Flávio Bolsonaro, seria difícil explicar ao eleitorado as diferenças entre as propostas em plena campanha eleitoral.
Na avaliação desses parlamentares, o esforço para justificar uma posição contrária ao texto poderia acabar sendo interpretado como uma resistência à redução da jornada de trabalho, ampliando o desgaste do candidato do PL.
Outro fator que pesa na decisão é a preocupação da direita com a crescente mobilização nas ruas em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados de Flávio avaliam que uma ofensiva contra o fim da escala 6x1 poderia oferecer ao governo um novo argumento para explorar na reta final da campanha.
A mudança de postura não significa, necessariamente, apoio da oposição ao texto defendido pelo governo, mas uma decisão de evitar um confronto político sobre o tema neste momento.
Voto de Flávio é incógnita
Apesar do recuo da oposição, ainda é uma incógnita como o próprio Flávio Bolsonaro, que exerce mandato de senador, vai se posicionar na votação.
Segundo interlocutores do candidato, há aliados que defendem que Flávio mantenha uma agenda de campanha nesta quarta-feira para evitar participar da votação e, consequentemente, ter de assumir uma posição sobre a proposta em plena disputa presidencial.
A estratégia, no entanto, tem uma dificuldade: a sessão convocada por Alcolumbre será semipresencial. Isso significa que os senadores não precisam estar fisicamente no plenário para registrar seus votos, já que poderão votar de forma remota.
Mesmo assim, integrantes do entorno de Flávio consideram a possibilidade de que compromissos eleitorais sirvam de justificativa para sua ausência na votação. Até o momento, não há uma definição sobre qual caminho o candidato pretende seguir.
Governo quer votar em dois turnos
Alcolumbre marcou para quarta-feira (14) a sessão destinada à análise da proposta. A base governista trabalha para que a votação ocorra em dois turnos no mesmo dia, numa tentativa de acelerar a tramitação da matéria.
O fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente para ter um de descanso, tornou-se uma das principais bandeiras do governo Lula e ganhou espaço na disputa presidencial.
Para aliados de Flávio, o desafio agora é defender uma alternativa para a jornada de trabalho sem permitir que o candidato seja associado à manutenção da escala atual.























