Polícia

Falso investidor usa aplicativo de namoro para aplicar golpes milionários em mulheres e foge do país

Homem investigado por estelionato, evasão de divisas e pirâmide financeira teria causado prejuízo de R$ 10 milhões

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Um falso investidor, que atraía mulheres por meio de aplicativos de relacionamento, conseguiu captar cerca de R$ 10 milhões de diversas vítimas e deixou o país. Ele já foi condenado por estelionato e também é investigado pelos crimes de evasão de divisas e pirâmide financeira.

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Tudo começou nos aplicativos de namoro. As mulheres buscavam companhia. E ele, segundo as vítimas, aplicava golpes desde o início.

O homem foi identificado como Fabio Corleto, de 43 anos. Para as pretendentes ao relacionamento, ele se apresentava como especialista em aplicações financeiras. Duas das nove mulheres que se relacionaram com ele conversaram com a reportagem.

“Ele é bem ardiloso, ele soube usar não só o aspecto emocional, romântico, mas também o aspecto de criar um currículo”, conta uma das vítimas.

Segundo os relatos, todas as vítimas tinham perfil semelhante: mulheres acima de 40 anos, recém-divorciadas e com bom poder aquisitivo.

Após conquistar a confiança das vítimas, Fabio Corleto oferecia serviços financeiros com a promessa de multiplicar o capital investido. Uma das mulheres entregou mais de R$ 1 milhão. Outra utilizou parte das economias acumuladas ao longo da vida.

“Eu confiei, ele era uma pessoa que frequentava o mesmo círculo que eu”, relata uma das mulheres.

Depois de três meses de relacionamento, uma das vítimas desconfiou de traição e descobriu, no computador dele, que o problema ia além da vida amorosa.

“Começou a pingar um monte de mensagem. Eu olhei, vi que era de outras mulheres e elas estavam catalogadas com nome, idade, profissão, região onde mora e aplicativo no qual ele conheceu. Muitas delas estavam cobrando dinheiro dele.”

Várias vítimas tentaram recuperar os valores perdidos. Em uma conversa com uma delas, Fabio Corleto não negou estar com os recursos, mas, segundo os relatos, continuou apresentando justificativas consideradas falsas.

Fabio Corleto responde a vários processos por estelionato e, em um deles, foi condenado em todas as instâncias. Além disso, há condenação na esfera cível, com obrigação de ressarcimento à vítima.

O problema, segundo a investigação, é que o suspeito possui cidadania italiana e vive legalmente em Portugal.

O advogado que representa algumas das vítimas afirma que as mulheres precisariam recorrer à Justiça na Europa, mas a situação é complexa devido à movimentação internacional do investigado.

Embora não exista uma tipificação específica na legislação brasileira, casos como esse costumam ser tratados, na prática, como estelionato sentimental. A pena prevista para o crime de estelionato, no artigo 171 do Código Penal, varia de um a cinco anos de prisão.

Para as vítimas, além do prejuízo financeiro, ficaram os danos emocionais e a perda da confiança.

Ao SBT, Fabio Corleto negou as acusações e disse que a defesa dele só vai se manifestar depois que tiver acesso à investigação. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que a investigação segue em andamento. Procurada, a Polícia Federal informou que não vai comentar o caso.

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