TSE manda Nikolas remover vídeo de crianças criticando Lula
Ministro Marco Aurélio disse que conteúdo configura desinformação de segunda geração e ultrapassa barreira ao tentar atingir o eleitor psicologicamente
Camila Stucaluc
Deputado Nikolas Ferreira (PL) | Reprodução Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) remova, em até 24 horas, um vídeo no qual crianças aparecem criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão liminar foi assinada na terça-feira (13) pelo ministro Marco Aurélio Bellizze.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui
Divulgado por Nikolas no Dia das Crianças, o vídeo apresenta menores associando Lula e o PT a problemas econômicos e sociais, como insegurança nas ruas, furtos de celulares e aumento dos preços dos produtos. Também citam o filho do presidente, conhecido como Lulinha, alvo do inquérito que investiga desvios de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.
O conteúdo foi publicado nas redes sociais do deputado, e replicado pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) no WhatsApp.
O vídeo foi levado ao TSE pela coligação "Brasil Pronto pra Mais", que argumentou que os problemas citados no vídeo foram apresentados sem contextualização. Sustentou, ainda, que a utilização de crianças potencializaria o impacto emocional da mensagem, podendo comprometer a dignidade, a autonomia e o melhor interesse dos menores.
Aurélio acatou o argumento e afirmou que o vídeo explora indevidamente a infância para fins eleitorais. Para o ministro, a peça "ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente", "aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil". As falas das crianças, segundo a decisão, são o principal recurso narrativo para transmitir imputações políticas.
O magistrado também avaliou que o vídeo “configura desinformação de segunda geração, caracterizada pela seleção e apresentação fragmentada ou descontextualizada de elementos para conduzir o público a uma conclusão enganosa”. “A desinformação pode decorrer não apenas de uma afirmação literalmente falsa, mas também da forma como fatos ou referências são organizados e apresentados”, disse.
Aurélio frisou que a liberdade de expressão não é absoluta quando ofende a honra do candidato ou divulga fatos sabidamente inverídicos, norma que está presente na resolução do TSE e em precedentes da Corte que admitem remoção e multa por conteúdo desinformativo. Citou, ainda, a proteção integral da criança, com base no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
TSE manda Nikolas remover vídeo de crianças criticando LulaMinistro Marco Aurélio disse que conteúdo configura desinformação de segunda geração e ultrapassa barreira ao tentar atingir o eleitor psicologicamentePolítica2026-10-14T06:56:25.724ZO Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) remova, em até 24 horas, um vídeo no qual crianças aparecem criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão liminar foi assinada na terça-feira (13) pelo ministro Marco Aurélio Bellizze. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Divulgado por Nikolas no Dia das Crianças, o vídeo apresenta menores associando Lula e o PT a problemas econômicos e sociais, como insegurança nas ruas, furtos de celulares e aumento dos preços dos produtos. Também citam o filho do presidente, conhecido como , alvo do inquérito que investiga desvios de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O conteúdo foi publicado nas redes sociais do deputado, e replicado pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) no WhatsApp. O vídeo foi levado ao TSE pela coligação "Brasil Pronto pra Mais", que argumentou que os problemas citados no vídeo foram apresentados sem contextualização. Sustentou, ainda, que a utilização de crianças potencializaria o impacto emocional da mensagem, podendo comprometer a dignidade, a autonomia e o melhor interesse dos menores. Aurélio acatou o argumento e afirmou que o vídeo explora indevidamente a infância para fins eleitorais. Para o ministro, a peça "ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente", "aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil". As falas das crianças, segundo a decisão, são o principal recurso narrativo para transmitir imputações políticas. O magistrado também avaliou que o vídeo “configura desinformação de segunda geração, caracterizada pela seleção e apresentação fragmentada ou descontextualizada de elementos para conduzir o público a uma conclusão enganosa”. “A desinformação pode decorrer não apenas de uma afirmação literalmente falsa, mas também da forma como fatos ou referências são organizados e apresentados”, disse. Aurélio frisou que a liberdade de expressão não é absoluta quando ofende a honra do candidato ou divulga fatos sabidamente inverídicos, norma que está presente na resolução do TSE e em precedentes da Corte que admitem remoção e multa por conteúdo desinformativo. Citou, ainda, a proteção integral da criança, com base no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/tse-manda-nikolas-remover-video-de-criancas-criticando-lula