Política

Haddad diz que governo precisa da alta do IOF para fechar contas e atingir a meta fiscal de 2026

Ministro da Fazenda afirmou também que espera resposta de Hugo Motta após votação no Congresso

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Rafael Porfírio
01/07/2025, 14:22 • Atualizado em 01/07/2025, 14:23
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Ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Divulgação/Diogo Zacarias/MF

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Divulgação/Diogo Zacarias/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (1º) que o governo precisa da alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para equilibrar o Orçamento de 2026. Com a derrubada dos decretos por parte do Congresso Nacional, a perda na arrecadação deve chegar a R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 40 bilhões no ano que vem, segundo a pasta.

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Corte de benefícios fiscais

O recado é claro: sem esse dinheiro, fecha a conta, mas no vermelho. E não para por aí. Para bater a meta fiscal de 2026, um superávit de 0,25% do PIB, algo em torno de R$ 31 bilhões, também será necessário cortar R$ 15 bilhões em benefícios fiscais.

Haddad disse que, depois do recesso, o governo vai apresentar uma nova proposta sobre esse tema, desta vez levando em conta sugestões dos parlamentares. Haddad disse que que está buscando alternativas "com responsabilidade" e defendeu que reajuste fecha uma brecha para sonegação.

"Nós vamos fazer uma proposta para o Congresso depois do recesso, com base nas conversas que foram mantidas com os líderes naquele domingo. Como, provavelmente, não vai ser uma emenda constitucional, nós estamos elaborando uma peça preservando esses setores, os que tem proteção constitucional", afirmou Haddad a jornalistas no Ministério da Fazenda.

Traição do Congresso? Haddad e Motta negam

Em meio ao climão entre Executivo e Legislativo por causa do IOF, o ministro da Fazenda afirmou que, na semana passada, ligou para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e até agora, nada de resposta.

"Estou aguardando o retorno de uma ligação que eu fiz para ele. Semana passada. Eu fiz uma ligação, estou aguardando o retorno. Tem que ficar à vontade também, né? É uma pessoa que é considerada amiga do Ministério da Fazenda e sabe que tem livre trânsito comigo. Não tem nenhuma dificuldade da minha parte, nenhuma."

Haddad negou que tenha havido "traição" por parte de Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na decisão do Congresso de derrubar decretos que aumentavam o IOF. Segundo ele, o episódio faz parte do jogo político e não altera o diálogo do governo com o Legislativo.

"Nós nunca tratamos nesses termos. Nós temos respeito pelo Congresso. Esse tipo de expressão não cabe numa relação institucional. O que nós não sabemos é a razão pela qual mudou o encaminhamento que havia sido anunciado no domingo", disse Haddad.

Do lado da Câmara, Motta diz que o governo já sabia das dificuldades para aprovar o aumento do IOF. Em vídeo publicado nas redes sociais nessa segunda (30), o presidente da Câmara negou qualquer tipo de "traição" da Casa e deixou claro que o alerta ao Planalto foi feito com antecedência.

Reunião de Motta com empresários na casa de Doria

Horas depois da publicação, no fim do dia, Motta se reuniu com mais de 50 empresários e Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central (BC), na casa do empresário João Doria, ex-governador de São Paulo. Participaram do encontro também o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e Gilberto Kassab, presidente do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais.

No jantar, que teve ares de "ato de desgravo" ao presidente da Câmara, Motta disse que o encontro pluripartidário seria "muito mais de escuta" para construção de um país melhor. Ele ressaltou que tem "muita sinergia com o Alcolumbre" e que Câmara e Senado "nunca andaram tão bem, com respeito, tentando convergir".

O presidente da Câmara disse que o diálogo também se dá com os poderes Executivo e Judiciário, com quem tem "bom relacionamento, para que possa haver uma harmonia entre os poderes a favor do país".

"A polarização existe, mas precisamos descobrir o que podemos fazer pelo país. [...] A votação da última semana foi um retrato de um parlamento muito aguerrido, pronto pra fazer um enfrentamento a favor do país", afirmou o parlamentar.

"Não queremos arroubos e nem criar instabilidade. Momentos como esse são importantes. Quando eu assumi essa função, eu sabia o tamanho da responsabilidade. É uma posição complexa e desafiadora, mesmo em momentos de divergência buscamos oportunidade de impulsionar o Brasil através da política. Esse diálogo se dá também com o setor produtivo. Por mais que haja essa polarização, temos um país que precisa dar certo", concluiu Motta.

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