Haddad avalia trunfo contra Tarcísio em novo projeto de segurança pública
Governador acumula aumento nos índices de feminicídio do estado e instabilidade na corporação

Victoria Abel
O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, tem avaliado junto a aliados as brechas deixadas por Tarcísio de Freitas, ao longo dos quase 4 anos de governo, para elaboração de um trunfo a ser utilizado durante a campanha eleitoral. Em um primeiro diagnóstico, os petistas identificaram o aumento dos feminicídios na gestão do republicano como principal problema a ser explorado.
De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança de Pública na última semana, o estado registrou a maior alta de homicídios contra mulheres desde 2018, quando iniciou a série histórica. De janeiro a março de 2026, foram 86 casos, contra 61 em 2025. Em 2018, o número era de 21 casos.
Para os petistas, os números apontam para uma fragilidade de Tarcísio na área mais cara a seus eleitores. Com isso, aliados de Haddad afirmam que um novo programa, não apenas de punição a criminosos, mas também de proteção às mulheres, poderia atrair eleitores de centro e indecisos, entre aqueles que teriam se decepcionado com as políticas de segurança pública do governador de São Paulo.
Haddad tem feito reuniões com especialistas da área e também integrantes das forças policiais do estado, de forma sigilosa. A ideia, inicialmente rascunhada pela pré-campanha, incluiria o fortalecimento das delegacias da Mulher, monitoramento de medidas protetivas, casas de acolhimento, e programas de emprego direcionados às vítimas de violência.
No último mês, Tarcísio mudou o comando da Polícia Militar, colocando uma mulher à frente das tropas. Glauce Anselmo Cavalli assumiu na última quarta-feira (29). Em quase 200 anos de história, essa é a primeira vez que uma mulher ocupa a posição.
Alguns dos últimos casos de violência contra a mulher no estado ocorreram dentro da própria corporação. A prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio da esposa, a policial Gisele Alves Santana, e a morte de Thawanna Salmázio, morta após ser baleada pela policial Yasmin Cursino Ferreira.
Glauce também assume o posto no lugar do coronel José Augusto Coutinho, que teve o nome citado em investigações sobre uma das maiores organizações criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC).









