Política

Entenda o que é o programa que está causando embates entre governo e Congresso

No passado, benefício a eventos conhecido como Perse zerou impostos para bijuterias, segurança e até jet-skis. Haddad aponta gastos que superam os R$ 17 bilhões

L
Lis Cappi
11/02/2024, 01:06 • Atualizado em 11/02/2024, 01:06
compartilhar
Entenda o que é o programa que está causando embates entre governo e Congresso

Criado para apoiar o setor de eventos diante dos impactos da pandemia da covid-19, o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) já concedeu imposto zero para bijuterias, segurança e até jet-skis. Após o Ministério da Fazenda propor o fim do programa, o benefício virou um novo ponto de embate entre governo e Congresso.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A mudança proposta pelo Executivo veio em medida provisória (MP) protocolada em dezembro do ano passado. O texto estabelece um fim gradual até 2025. Para valer, no entanto, a medida precisa ter apoio de deputados e senadores e ser aprovada em um período de 120 dias. Até o momento, o indicativo é de resistência dos parlamentares. E os embates devem aumentar após o Carnaval.

O que é o Perse?

O programa teve início em 2021, ainda no governo Bolsonaro, com a intenção de conceder socorro temporário e diminuir os prejuízos acumulados pelos setores de eventos e turismo durante a pandemia. As áreas foram apontadas como as que mais sofreram impactos com a covid-19.

Na lista dos que ficaram sem pagar impostos estão lojas ligadas à venda de bijuterias e negócios de atividades marítimas, que comercializam itens de mergulho e jet-skis.

Além da isenção tributária, outras duas frentes foram implementadas para apoio: renegociação de dívidas e indenizações. Para facilitar pagamento de débitos acumulados e conceder valores para suprir despesas com empregados em negócios que tiveram mais de 50% de prejuízo no faturamento.

Mudança por medida provisória

Na MP, o governo estabelece o fim da redução ou isenção de impostos para parte de tributos a partir de abril de 2024. De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a medida provisória estabelece uma economia de R$ 32 bilhões - sendo R$ 16 bilhões atribuídos ao Perse.

O texto também estabelece outras frentes, como a reoneração gradual da folha de pagamentos de 17 setores da economia (previsto em R$ 12 bilhões) e outros R$ 4 bilhões ligados à diminuição da alíquota de contribuição para a Previdência Social.

Justificativa do governo

A medida provisória é defendida pela Fazenda como um caminho para reduzir os gastos e aumentar a arrecadação em 2024. Haddad cita a necessidade de alcançar um déficit zero das contas públicas - equiparando os gastos às despesas.

“Creio que nós vamos aprovar essas medidas para dar conforto para o país prosperar com as contas mais equilibradas”, afirmou Haddad, na última terça-feira. No dia, o ministro confirmou a possibilidade de discutir o envio da desoneração como projeto de lei. O movimento final ainda depende de reunião do ministro com líderes partidários.

Embate com o Congresso

A mobilização para dar continuidade ao Perse contraria pedido do presidente Lula (PT), e conta com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de nomes da própria base do governo, como o autor do projeto, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), e a relatora da proposta no Senado, Daniella Ribeiro (PSD-PB).

Os dois congressistas encabeçam um manifesto que vai contra a medida provisória e será levado aos presidentes da Câmara e do Senado. Até sexta-feira (9), a ação de protesto contava com apoio de 305 parlamentares - sendo 268 deputados e 37 senadores. A lista inclui sete nomes do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), como o último líder do governo na Casa, deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

“Considerando toda a importância que o Perse representa para a economia brasileira, recebemos com perplexidade a edição da Medida Provisória 1.202, de 2023 que dentre os objetivos venha suprimir os benefícios fiscais do Programa, negando tanto a importância da efetividade da política pública em tela quanto todo o processo negocial que o parlamento brasileiro enfrentou para modular o formato atual do programa sinalizando forte insegurança jurídica para os setores beneficiados”, diz trecho do manifesto. O documento ainda está em coleta de assinaturas e será enviado aos presidentes da Câmara e do Senado após o Carnaval.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Itamaraty cita ‘traidores’ por tarifaço em indireta a Flávio

Itamaraty cita ‘traidores’ por tarifaço em indireta a Flávio

Imagem da notícia: Marrocos empata com o Haiti em 2 a 2; siga em tempo real

Marrocos empata com o Haiti em 2 a 2; siga em tempo real

Imagem da notícia: Trump critica Otan e chama Espanha de 'show de horrores'

Trump critica Otan e chama Espanha de 'show de horrores'

Imagem da notícia: Com Rayan: confira a escalação do Brasil contra Escócia

Com Rayan: confira a escalação do Brasil contra Escócia

Imagem da notícia: Itamaraty cita ‘traidores’ por tarifaço em indireta a Flávio

Itamaraty cita ‘traidores’ por tarifaço em indireta a Flávio

Imagem da notícia: Marrocos empata com o Haiti em 2 a 2; siga em tempo real

Marrocos empata com o Haiti em 2 a 2; siga em tempo real

Imagem da notícia: Trump critica Otan e chama Espanha de 'show de horrores'

Trump critica Otan e chama Espanha de 'show de horrores'

Imagem da notícia: Com Rayan: confira a escalação do Brasil contra Escócia

Com Rayan: confira a escalação do Brasil contra Escócia

Últimas notícias

Brasil faz o 3º contra a Escócia na Copa; acompanhe ao vivo

Brasil entra em campo contra os escoceses em busca de garantir a primeira colocação na Fase de Grupos, seleção brasileira não passa em 2° desde 1978

Pivotando com Diogo Kobata: do Exército ao mercado digital

Cofundador da H&W Publishing conta como trocou a carreira militar pelo empreendedorismo e criou um negócio global focado em vendas nos EUA

MEIs: Governo vai oferecer renegociação de dívidas

Débitos terão descontos de até 70%, com pagamento parcelado em até 12 anos

Michelle diz ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro

Ex-primeira-dama afirmou que foi desrespeitada por Flávio Bolsonaro e, por isso, se afastou das decisões partidárias

Assista ao jogo do Brasil de graça no SBT

Você assiste a partida com Galvão Bueno, Mauro Beting e Alexandre Pato, análise de Nadine Basttos e reportagens de Mauro Naves, André Hernan e João Venturi

Jaques Wagner deixa liderança do governo Lula no Senado

Senador vinha sendo pressionado por aliados a abrir mão do cargo após ser alvo da PF por suspeita de envolvimento com Vorcaro e o Master