Política

Discursos em ato de Bolsonaro por anistia do 8/1 mesclam fé e ataques ao STF

Com presença de 7 governadores, deputados e figuras religiosas, manifestação na avenida Paulista ecoou as palavras "injustiça" e "anistia humanitária"

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SBT News
06/04/2025, 20:13 • Atualizado em 06/04/2025, 21:52
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Ato pela anistia a condenados por atos antidemocráticos neste domingo (6) na Avenida Paulista (SP) | Reprodução

Ato pela anistia a condenados por atos antidemocráticos neste domingo (6) na Avenida Paulista (SP) | Reprodução

Manifestações religiosas, mensagens de repúdio ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedidos de anistia para condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 marcaram o protesto de Jair Bolsonaro e aliados na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (6).

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O ex-presidente, que agora é réu em processo por tentativa de golpe de Estado no STF, reuniu no evento sete governadores: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, Ronaldo Caiado (União), de Goiás, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, Mauro Mendes (União Brasil ), de Mato Grosso, e Wilson Lima (União), do Amazonas.

Sete governadores participaram do ato bolsonalista em SP, neste domingo (6) | Reprodução
Sete governadores participaram do ato bolsonalista em SP, neste domingo (6) | Reprodução

No carro de som, em frente ao icônico vão livre do MASP, Tarcísio de Freitas foi o único governador a discursar antes de Bolsonaro. Além de engrossar o coro pela anistia de "pessoas simples e humildes", o governador paulista argumentou que apenas o perdão aos condenados por atos antidemocráticos trará " liberdade, pacificação e esperança".

"Só a liberdade vai garantir a verdadeira democracia", disse Tarcísio. "A anistia para essas pessoas é o reencontro com a liberdade....precisamos pacificar o país", argumentou.

Tarcísio afirmou ainda que o Brasil está "perdendo o bonde" e "ficando para trás" no crescimento econômico, enquanto a nação não consegue pacificar as questões políticas. Ele fez referências à inflação dos alimentos, citando os altos preços do "feijão e do ovo", para pedir aos manifestantes que gritassem um "volta Bolsonaro".

Depois de rememorar algumas ações do governo Bolsonaro, incluindo a "garantia de empregos" durante a pandemia de covid-19, Tarcísio questionou as penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

"Pedir anistia não é uma heresia, é algo justo. Eu quero prisão para assaltante, quero prisão para quem rouba celular, para quem invade terra, para quem é corrupto", afirmou.

Seguindo o teor religioso que marcou o evento - com a presença do pastor Silas Malafaia e do Padre Kelmon - Tarcísio também invocou a Deus ao pedir anistia.

“Tenho certeza que, depois desse evento, Deus vai tocar no coração de cada parlamentar, deputado, senador, de cada líder. Nós vamos ter anistia e essa anistia vai ser uma conquista de cada um de vocês”, afirmou.

Embora Bolsonaro esteja inelegível, o governador paulista afirmou ter certeza de que ele "vai voltar"

Prefeito de São Paulo

Presente como convidado especial do ato, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, subiu ao carro de som e disse estar orgulhoso em receber o protesto pela anistia.

Em um discurso breve, Nunes focou na dosimetria das penas de condenados pela invasão dos Três Poderes e disse que vai trabalhar pela assinatura da PEC da Anistia dentro do seu partido.

"Vou apoiar e incentivar que meu partido, o MDB, assine a anistia", afirmou.

Para Nune,s as condenações e penas aplicadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes aos condenados pelos atos de 8 de janeiro são uma injustiça.

"Um ato de desumanidade segue um ato humanitário", argumentou o prefeito. "Eu tenho certeza que, com todo esse trabalho, vai ter uma nova reflexão das pessoas para que tenha anistia", complementou Nunes.

Nikolas Ferreira

Um dos primeiros a discursar no evento bolsonarista, o deputado federal Nikolas Ferreira foi o político mais enfático em ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal. Ele chamou o ministro Alexandre de Moraes de "covarde" por "massacrar a maior liderança política [do Brasil] que é Bolsonaro, além de aplicar penas altas para condenados por atos antidemocráticos", que ele mesmo chamou de "baderneiros".

"Temos que ir pra rua para dizer o óbvio: duras penas para criminosos e não para baderneiros", bradou. "Esse país é nosso e não do STF", completou.

Nikolas Ferreira também mirou em outro ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, autor da frase "perdeu, mané", dita a um bolsonarista que o perseguiu fora do país. "É uma fala de bandido quando vai roubar alguém. Quer dizer que em 2022 nós fomos roubados, Barroso?", questionou o deputado.

O ato em São Paulo reuniu 44,9 mil pessoas, segundo a metodologia de pesquisadores da Universidade de São Paulo em parceria com Cebrap e a ONG More in Commom. Até o final desta reportagem a Polícia Militar não havia contabilizado quantos manifestantes estavam na Avenida Paulista.

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