Política

Celso Amorim indica que Brasil recusará convite para Conselho de Paz de Trump

Em entrevista ao SBT News, assessor especial de Lula para assuntos internacionais destaca ruptura da ordem mundial e política da imprevisibilidade

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O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, principal conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, indicou que o Brasil deverá recusar o convite para integrar o Conselho de Paz criado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira (22).

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Para Amorim, o órgão, criado inicialmente com a intenção de solucionar a guerra na Faixa de Gaza, não está em conformidade com os valores defendidos pelo Itamaraty para a comunidade internacional e cria conflitos com a ordem atual alicerçada na ONU.

“Isso não corresponde ao que o Brasil quer nas relações internacionais, que é uma visão democrática e com a participação de quantos países quanto possível, e não uma autocracia”, declarou em entrevista ao SBT News nesta sexta (23).

"O Brasil não deu uma resposta porque tem que ver como responde. O que eu estou dizendo é o seguinte: eu não vejo como o Brasil pode participar de um conselho em que um país como o Canadá, que é vizinho e principal aliado dos Estados Unidos [...] é desconvidado. Isso não é uma coisa boa", afirmou. "Isso demonstra que esse conselho tal como está proposto é inviável", completou.

Amorim avaliou que Trump expandiu o escopo original do órgão e concentrou poderes que tornam sua governança personalista e autoritária.

"Do jeito que está escrito, o Conselho de Paz não é só sobre o Oriente Médio, é sobre o mundo. Então é para substituir o Conselho de Segurança da ONU. E é impensável que um novo conselho substitua o Conselho da ONU presidido por uma pessoa –independentemente de quem seja– que não foi eleita, eternamente, sem rodízio", disse o assessor.

Amorin também citou a conversa de Lula com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na quinta-feira (22). Ele reiterou que Abbas estava reticente com o Conselho de Paz porque, entre outros motivos, não estava entre os convidados para compô-lo. "Você não pode ter um conselho que não tenha os palestinos”, avaliou o assessor.

Além de Abbas, Lula tem conversado nos últimos dias com outros líderes globais, como os presidentes da China, Xi Jinping, da Índia, Narendra Modi, e o premiê do Canadá, Mark Carney. Segundo Amorim, a motivação começou com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início de janeiro e a preocupação do petista com a instabilidade gerada na América do Sul.

Amorim negou que Lula esteja coordenando uma resposta unificada contra o Conselho de Paz.

"Nova ordem é a desordem"

O assessor avaliou que a materialização do perfil confrontantivo de Trump com ações recentes como a captura de Maduro, ameaças sob a Groelândia e conflitos tarifários com antigos aliados demonstram que a ordem global do pós-guerra "acabou".

“Eu não sei se vai ter uma nova ordem mundial ou se a ordem será a desordem. Mas certamente a ordem que havia –que sempre foi imperfeita, nunca foi totalmente respeitada, que tinha seus defeitos –, essa acabou. Disso eu não tenho a menor dúvida. [...] Acontece que não necessariamente é uma ruptura para o bem", afirmou. “É muito difícil viver em um mundo governado pela imprevisibilidade”.

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