Política

"Brasil não tem medo competir com os EUA", diz Lula sobre aproximação com a China

Presidente afirmou que o Brasil pretende ter relações comerciais com todos os países e que não teme retaliação de Trump por proximidade com Xi Jinping

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Marcela Guimarães
14/05/2025, 03:43 • Atualizado em 14/05/2025, 13:42
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Lula em coletiva de imprensa durante viagem à China | Reprodução Youtube

Lula em coletiva de imprensa durante viagem à China | Reprodução Youtube

Ainda em território chinês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância do estreitamento das relações entra os países, principalmente em relação às questões comerciais. Em coletiva de imprensa na noite desta terça-feira (13), Lula fez um balanço da viagem ao gigante asiático que, segundo ele, reforça a importância do multilateralismo e do livre comércio global.

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"Nossa relação com a China é estratégica", afirmou o presidente.

Questionado por um repórter estrangeiro se o Brasil tinha medo de alguma retaliação do governo de Donald Trump, por estar tão próximo ao líder chinês Xi Jinping, Lula foi enfático: "Não temos medo de retaliação. Não é possível que um país do tamanho do Brasil, com a qualidade do Brasil, tenha medo de retaliação".

Lula completou ainda que sua aproximação com a China não significa distanciamento dos Estados Unidos. "Espero que o Trump compreenda o que é a relação de mais de 200 anos [dos EUA] com o Brasil", disse o presidente, destacando o superávit primário de mais de 410 bilhões de dólares que os EUA têm na relação comercial com o Brasil.

"Queremos que a relação seja a melhor possível. Quando digo que quero melhorar a relação com a China, não quero piorar a relação com com ninguém. Assim é a política", explicou o presidente brasileiro.

Competição com os EUA

Lula também afirmou que não se preocupa com possível "competição" de produtos agrícolas americanos, que poderiam substituir commodities brasileiras nas vendas para a China após acordo de redução de tarifas que o governo Trump fechou com o país asiático.

"O Brasil não tem medo de competir com os EUA na quantidade e qualidade. Quanto mais comércio, melhor pra todo mundo", reforçou.

Antes, porém, Lula enviou mensagens indiretas a Trump, ao dizer que "de repente, alguém acha que pode taxar tudo e todo mundo, sem pedir licença, como se fosse dono do mundo. E o mundo não é obrigado a aceitar essas coisas". O presidente também afirmou que o Brasil vai lutar contra o protecionismo, em defesa do multilateralismo nas relações comerciais internacionais.

Despedida de Pepe Mujica

Lula disse que, assim que chegar em Brasília, pretende seguir viagem ao Paraguai e se despedir de Pepe Mujica. O presidente se emocionou ao falar do uruguaio, a quem chamou referência de "dignidade e respeito".

"Eu conheço muita gente, muitos presidentes, muitos políticos, mas nenhum se iguala à grandeza da alma de Pepe Mujica. Ele era efetivamente uma figura excepcional", disse Lula.

O presidente disse ainda que é difícil encontrar no mundo pessoas com o "caráter, a dignidade e a postura" do ex-presidente uruguaio.

"A carne se vai, mas as ideias ficam. Espero que as pessoas que estão aqui tirem proveito das ideias e os ensinamentos de Pepe Mujica", desejou Lula.

Acordo de paz entre Rússia e Ucrânia

O presidente brasileiro defendeu que é preciso "uma movimentação política para encontrar a paz" entre Rússia e Ucrânia.

"Eu tive a petulância de ligar para o Putin e pedir 'pare com essa guerra e volte para a política'", disse Lula, citando os riscos do crescimento da extrema direita em todo mundo.

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