Lula reúne equipe em última reunião ministerial antes de trocas para as eleições
Governo aposta em secretários-executivos para garantir continuidade durante campanha eleitoral; ao menos 20 trocas são esperadas


Hariane Bittencourt
O presidente Lula (PT) realiza nesta terça-feira (31) uma reunião com todos os ministros do governo. Participam do encontro, o último antes das trocas em razão das eleições, os ministros que permanecem na gestão petista, os que estão de saída e os que chegam para comandar as pastas no período eleitoral.
A reunião acontece pela manhã no Palácio do Planalto. São esperadas falas de Lula e dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Dario Durigan (Fazenda).
Ao menos 20 pastas sofrerão mudanças com ministros que estão de saída do governo para disputar as eleições de outubro ou para atuar na campanha de Lula à reeleição. O prazo para desincompatibilização termina no sábado (4).
Em regra, o petista optou por escalar os secretários-executivos para os comandos de ministérios estratégicos. Os substitutos foram escolhidos sob o argumento de tentar dar continuidade, reduzindo impacto de mudanças no que foi desenvolvido até agora. O movimento acontece em ministérios como Fazenda - com a troca de Fernando Haddad por Dario Durigan - e Educação - com a saída de Camilo Santana e chegada de Leonardo Barchini.
Nos casos em que as mudanças estão confirmadas e os substitutos ainda indefinidos, situação da Secretaria de Relações Institucionais, assumem os secretários-executivos como interinos até que os nomes finais sejam indicados pelo presidente.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o encontro vai servir para um balanço da gestão petista até aqui, com despedida dos ministros que saem e alinhamento de discursos e da comunicação governamental durante o próximo meses, sobretudo diante das pré-candidaturas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). A ideia é, com entregas, fazer frente às investidas de ambos contra Lula.
Ministérios como os da Saúde (Alexandre Padilha), Trabalho e Emprego (Luiz Marinho), Relações Exteriores (Mauro Vieira) e Secretaria-Geral da Presidência da República (Guilherme Boulos) não devem sofrer alterações.
Trocas na Esplanada
1: Ministério da Fazenda: Fernando Haddad deixou o comando da pasta para concorrer ao governo de São Paulo.
2: Ministério da Educação: Camilo Santana deixa o ministério para participar da campanha de Lula. Pode concorrer a um cargo eletivo, como ontem (30) sinalizou o presidente, mas ainda não confirmou.
3: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: Geraldo Alckmin segue na vice-presidência, mas deixa o comando da pasta. Já cotado para concorrer ao Senado por São Paulo, deve seguir como vice na chapa de Lula.
4: Secretaria de Relações Institucionais: Gleisi Hoffmann deve concorrer ao Senado pelo Paraná.
5: Casa Civil: Rui Costa deve concorrer ao Senado pela Bahia.
6: Ministério dos Transportes: Renan Filho deve concorrer ao governo de Alagoas.
7: Ministério da Agricultura: Carlos Fávaro deve concorrer ao Senado por Mato Grosso.
8: Ministério do Planejamento: Simone Tebet deve concorrer ao Senado por São Paulo.
9: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar: Paulo Teixeira deve concorrer à Câmara dos Deputados por São Paulo.
10: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima: Marina Silva deve concorrer ao Senado por São Paulo.
11: Ministério dos Povos Indígenas: Sônia Guajajara deve concorrer à Câmara dos Deputados por São Paulo.
12: Ministério do Esporte: André Fufuca deve concorrer ao Senado pelo Maranhão.
13: Secretaria de Comunicação Social: Sidônio Palmeira deve atuar na campanha de Lula à reeleição. Ele ainda permanece no governo por mais alguns meses.
14: Ministério da Igualdade Racial: Anielle Franco deve concorrer à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
15: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional: Waldez Góes deve concorrer ao Senado pelo Amapá.
16: Ministério de Portos e Aeroportos: Silvio Costa Filho deve concorrer à Câmara dos Deputados por Pernambuco.
17: Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania: Macaé Evaristo deve concorrer à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
18: Ministério das Cidades: Jader Filho deve concorrer à Câmara dos Deputados pelo Pará.
19: Ministério do Empreendedorismo: Márcio França pode concorrer ao Senado por São Paulo. Também cotado para assumir o MDIC após a saída de Alckmin.
20: Ministério da Pesca e Aquicultura: André de Paula deve assumir o comando do Ministério da Agricultura no lugar de Fávaro.









