Governo Espriella encerra jornalismo da mídia pública
Emissoras da Paz passaram a transmitir apenas música após suspensão da programação habitual
SBT News
Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, fala durante coletiva de imprensa em Barranquilla, na Colômbia | Foto: Presidência da Colômbia via EFE - 20.08.2026
O governo de Abelardo De la Espriella determinou o fim da faixa de notícias e opinião no rádio e na televisão públicos da Colômbia e iniciou uma revisão dos conteúdos veiculados pelo sistema estatal. A medida também afetou as 20 Emissoras da Paz e as 11 emissoras descentralizadas da Radio Nacional de Colombia, que tiveram a programação habitual suspensa.
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As mudanças foram anunciadas no domingo (16) pelo Ministério das Tecnologias da Informação e das Comunicações, que afirmou estar encerrando o que classificou como um "aparelho de propaganda dentro do Sistema Público de Mídia da Colômbia". No dia anterior, a ministra Alexandra Falla havia se reunido com a nova gerente da Inravisión, Ángela María Mora, para discutir mudanças na programação, revisão de contratos e reorganização da gestão.
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Entre as medidas anunciadas pelo governo estão o encerramento das faixas de notícias e opinião no rádio e na televisão, a revisão dos conteúdos e formatos que estavam no ar e a análise dos contratos e convênios mantidos pela Inravisión. Segundo o Ministério, o objetivo é construir um sistema "plural, independente e transparente", no qual a informação pública não esteja subordinada a interesses políticos.
Na segunda-feira (17), a Inravisión — nome retomado pelo Sistema Público de Mídia no fim do governo de Gustavo Petro, em substituição à RTVC — comunicou aos responsáveis pelas 20 Emissoras da Paz a suspensão da programação habitual. Segundo o veículo colombiano "El Armadillo", jornalistas foram informados de que a ordem havia partido da nova gerente da empresa pública.
Desde terça-feira (18), as Emissoras da Paz passaram a transmitir exclusivamente programação musical centralizada em Bogotá. A determinação também atingiu as 11 emissoras descentralizadas da Radio Nacional de Colombia, sistema que reúne mais de 70 frequências espalhadas pelo país.
As mudanças ocorrem após a posse de De la Espriella, em 7 de agosto, e a nomeação de Ángela María Mora para o comando da Inravisión. Funcionários ouvidos pelo "El Armadillo" afirmaram que as tensões dentro da empresa aumentaram durante a cobertura do terremoto registrado em 10 de agosto.
Segundo um dos relatos, a equipe havia decidido fazer uma cobertura baseada na apuração dos fatos e sem direcionamento político. Uma funcionária afirmou ainda que a nova administração colocou o jornalista Diego Fajardo para acompanhar decisões editoriais e participar das reuniões de pauta.
Em uma dessas reuniões, segundo o relato, Fajardo teria rejeitado a sugestão de ouvir indígenas e integrantes de comunidades negras do departamento de Cauca que poderiam ter sido afetados pelo terremoto. Ele teria argumentado que a participação dessas fontes poderia "politizar a informação".
Emissoras da Paz
A suspensão da programação atinge uma rede de rádios criada com uma finalidade específica prevista no acordo de paz firmado em 2016 entre o governo colombiano e as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O acordo estabeleceu a criação de 20 "emissoras para a convivência e a reconciliação", instaladas principalmente em municípios atingidos pelo conflito armado.
As rádios foram concebidas para divulgar informações sobre a implementação do acordo de paz e iniciativas de construção da paz, além de produzir conteúdo voltado às comunidades locais. Jornalistas das emissoras afirmam que, apesar das mudanças de orientação editorial promovidas por diferentes governos, a produção regional havia sido preservada até agora.
Segundo um funcionário ouvido pelo *El Armadillo*, cerca de 90% da programação era dedicada às necessidades, histórias e perspectivas das comunidades atendidas pelas emissoras. Em Ituango, no departamento de Antioquia, por exemplo, a rádio criada em 2019 mantinha programas sobre a população rural, música local, manifestações culturais e questões ambientais.
O sinal da emissora de Ituango chega a 16 municípios e a mais de 100 comunidades rurais da região, segundo moradores ouvidos pelo veículo colombiano. A suspensão da programação também gera incerteza sobre o futuro de aproximadamente 105 técnicos e jornalistas que trabalham para as Emissoras da Paz sob contratos de prestação de serviços.
Alguns profissionais disseram ao *El Armadillo* que têm contratos válidos até outubro, mas ainda não sabem se os vínculos serão renovados. Até o momento, não há definição sobre como ficará a produção regional das emissoras após a revisão promovida pela nova administração.
A decisão foi criticada pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), pela Missão de Observação Eleitoral (MOE) e pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC). Em comunicado divulgado na sexta-feira (21), as entidades afirmaram que a centralização da programação em Bogotá restringe o acesso das comunidades a informações sobre os próprios territórios e contraria a finalidade das Emissoras da Paz.
Segundo as organizações, a programação das rádios beneficia mais de 463 mil pessoas, principalmente moradores de áreas rurais e integrantes de comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas. As entidades pediram que o governo restabeleça a programação informativa e regional enquanto realiza a revisão administrativa e editorial do sistema público.
Governo Espriella encerra jornalismo da mídia públicaEmissoras da Paz passaram a transmitir apenas música após suspensão da programação habitualMundo2026-08-22T23:18:58.143ZO governo de Abelardo De la Espriella determinou o fim da faixa de notícias e opinião no rádio e na televisão públicos da Colômbia e iniciou uma revisão dos conteúdos veiculados pelo sistema estatal. A medida também afetou as 20 Emissoras da Paz e as 11 emissoras descentralizadas da Radio Nacional de Colombia, que tiveram a programação habitual suspensa. As mudanças foram anunciadas no domingo (16) pelo Ministério das Tecnologias da Informação e das Comunicações, que afirmou estar encerrando o que classificou como um "aparelho de propaganda dentro do Sistema Público de Mídia da Colômbia". No dia anterior, a ministra Alexandra Falla havia se reunido com a nova gerente da Inravisión, Ángela María Mora, para discutir mudanças na programação, revisão de contratos e reorganização da gestão. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Entre as medidas anunciadas pelo governo estão o encerramento das faixas de notícias e opinião no rádio e na televisão, a revisão dos conteúdos e formatos que estavam no ar e a análise dos contratos e convênios mantidos pela Inravisión. Segundo o Ministério, o objetivo é construir um sistema "plural, independente e transparente", no qual a informação pública não esteja subordinada a interesses políticos. Na segunda-feira (17), a Inravisión — nome retomado pelo Sistema Público de Mídia no fim do governo de Gustavo Petro, em substituição à RTVC — comunicou aos responsáveis pelas 20 Emissoras da Paz a suspensão da programação habitual. Segundo o veículo colombiano "El Armadillo", jornalistas foram informados de que a ordem havia partido da nova gerente da empresa pública. Desde terça-feira (18), as Emissoras da Paz passaram a transmitir exclusivamente programação musical centralizada em Bogotá. A determinação também atingiu as 11 emissoras descentralizadas da Radio Nacional de Colombia, sistema que reúne mais de 70 frequências espalhadas pelo país. As mudanças ocorrem após a posse de De la Espriella, em 7 de agosto, e a nomeação de Ángela María Mora para o comando da Inravisión. Funcionários ouvidos pelo "El Armadillo" afirmaram que as tensões dentro da empresa aumentaram durante a cobertura do terremoto registrado em 10 de agosto. Segundo um dos relatos, a equipe havia decidido fazer uma cobertura baseada na apuração dos fatos e sem direcionamento político. Uma funcionária afirmou ainda que a nova administração colocou o jornalista Diego Fajardo para acompanhar decisões editoriais e participar das reuniões de pauta. Em uma dessas reuniões, segundo o relato, Fajardo teria rejeitado a sugestão de ouvir indígenas e integrantes de comunidades negras do departamento de Cauca que poderiam ter sido afetados pelo terremoto. Ele teria argumentado que a participação dessas fontes poderia "politizar a informação". Emissoras da Paz A suspensão da programação atinge uma rede de rádios criada com uma finalidade específica prevista no acordo de paz firmado em 2016 entre o governo colombiano e as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O acordo estabeleceu a criação de 20 "emissoras para a convivência e a reconciliação", instaladas principalmente em municípios atingidos pelo conflito armado. As rádios foram concebidas para divulgar informações sobre a implementação do acordo de paz e iniciativas de construção da paz, além de produzir conteúdo voltado às comunidades locais. Jornalistas das emissoras afirmam que, apesar das mudanças de orientação editorial promovidas por diferentes governos, a produção regional havia sido preservada até agora. Segundo um funcionário ouvido pelo *El Armadillo*, cerca de 90% da programação era dedicada às necessidades, histórias e perspectivas das comunidades atendidas pelas emissoras. Em Ituango, no departamento de Antioquia, por exemplo, a rádio criada em 2019 mantinha programas sobre a população rural, música local, manifestações culturais e questões ambientais. O sinal da emissora de Ituango chega a 16 municípios e a mais de 100 comunidades rurais da região, segundo moradores ouvidos pelo veículo colombiano. A suspensão da programação também gera incerteza sobre o futuro de aproximadamente 105 técnicos e jornalistas que trabalham para as Emissoras da Paz sob contratos de prestação de serviços. Alguns profissionais disseram ao *El Armadillo* que têm contratos válidos até outubro, mas ainda não sabem se os vínculos serão renovados. Até o momento, não há definição sobre como ficará a produção regional das emissoras após a revisão promovida pela nova administração. A decisão foi criticada pela Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), pela Missão de Observação Eleitoral (MOE) e pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC). Em comunicado divulgado na sexta-feira (21), as entidades afirmaram que a centralização da programação em Bogotá restringe o acesso das comunidades a informações sobre os próprios territórios e contraria a finalidade das Emissoras da Paz. Segundo as organizações, a programação das rádios beneficia mais de 463 mil pessoas, principalmente moradores de áreas rurais e integrantes de comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas. As entidades pediram que o governo restabeleça a programação informativa e regional enquanto realiza a revisão administrativa e editorial do sistema público.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/governo-espriella-encerra-jornalismo-da-midia-publica
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