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Brasil busca converter Acordo Mercosul-UE em negócios

Liderada pela ApexBrasil, comitiva reúne 19 entidades empresariais para traçar planos de ação, superar barreiras regulatórias e diversificar mercados

Avatar de Soane Guerreiro, enviada especial a Bruxelas
Soane Guerreiro, enviada especial a Bruxelas
Na imagem, bandeiras do Mercosul e da União Europeia | Reprodução

Na imagem, bandeiras do Mercosul e da União Europeia | Reprodução

Uma delegação de empresários e representantes de 19 entidades privadas brasileiras desembarcou em Bruxelas, na Bélgica, para uma semana intensa de planejamento promovida pela ApexBrasil, em parceria com os ministérios do Desenvolvimento (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE).

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A iniciativa prioriza oito setores estratégicos da economia: café, moda, bioenergia, frutas, máquinas e equipamentos, móveis e madeira, rochas naturais e sociobioeconomia. O principal objetivo é transformar as oportunidades do Acordo Mercosul–União Europeia em vendas e investimentos práticos para os próximos 12 meses.

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​A urgência da missão ganha força em meio a um ambiente geopolítico desafiador, marcado por turbulências e pelo impacto do tarifaço imposto pelo governo norte-americano sobre diferentes cadeias produtivas.

Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a estratégia de diversificação de destinos tem sustentado recordes comerciais: apenas neste ano, os ganhos derivados do acordo já representaram cerca de US$ 7 bilhões a mais nas exportações brasileiras. O executivo destacou que, de uma lista com mais de 9 mil produtos negociados, 5 mil já contam com tarifa de entrada zerada no mercado europeu.

Enquanto bens como calçados, autopeças e maquinários industriais ganham competitividade direta de custos com a redução de tarifa progressiva ou imediata, as entidades buscam mapear canais de distribuição dos produtos. Além disso, a pauta da missão também busca atrair investimentos estrangeiros diretos para modernização do parque industrial brasileiro.

​Apesar do alívio nas tarifas alfandegárias, a conformidade técnica desponta como o principal gargalo nas negociações bilaterais. Interlocutores setoriais alertam que o acesso às prateleiras europeias exige rigorosa observância a dezenas de regramentos ambientais e trabalhistas previstos pelo Pacto Verde Europeu, além de certificações internacionais, rastreabilidade socioambiental, entre outras legislações restritivas.

Diplomatas e especialistas agrícolas do governo brasileiro presentes nas reuniões trabalham para comprovar que os dados oficiais do Brasil são confiáveis e para reduzir barreiras protecionistas sobre as práticas ambientais do país, facilitando a aceitação dos produtos nacionais.

​Na avaliação da integrantes da diplomacia e de lideranças presentes, o fortalecimento das relações comerciais com a Europa traz oportunidades de expansão de mercado, estabilidade da moeda brasileira e geração de postos de trabalho em toda a cadeia produtiva. E a expectativa é, que nos próximos anos, o Brasil amplie de forma significativa sua fatia de mercado no bloco europeu nos próximos anos.

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