Apagão total volta a atingir Cuba em meio à crise energética
Colapso do sistema elétrico ocorre em meio à escassez de combustível e à pressão dos EUA sobre fornecimento de petróleo à ilha


Vicklin Moraes
Cuba sofreu um novo apagão total nesta segunda-feira (16). O anúncio foi feito pela Companhia Elétrica Nacional, em meio à intensa crise de desabastecimento enfrentada pelo país devido ao bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.
“Houve uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN). As causas estão sendo investigadas e os protocolos para o restabelecimento estão começando a ser ativados”, informou o Ministério de Energia e Minas nas redes sociais, sem ainda apontar a causa do novo apagão em massa.
Cuba está mergulhada em uma profunda crise energética desde meados de 2024, situação que se agravou nos últimos três meses com o bloqueio de petróleo imposto pelos EUA, que vem paralisando a economia e desencadeando agitação social.
Segundo a agência espanhola EFE, esse é o sexto apagão do país em um ano e meio. Ainda de acordo com a agência, Cuba já havia previsto para este dia, antes do desligamento do SEN, que ocorreriam apagões prolongados ao longo do dia e que, no momento de maior demanda, 62% do país ficariam simultaneamente sem energia.
Os Estados Unidos aumentaram a pressão neste ano sobre a antiga rival Cuba após capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, principal aliado e benfeitor estrangeiro de Cuba, em janeiro.
O presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu os envios de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda o óleo à ilha, estrangulando ainda mais a já antiquada rede elétrica do país caribenho.
Cuba afirmou na sexta-feira que iniciou negociações com os Estados Unidos na esperança de amenizar a crise. Nas últimas semanas, Trump disse que Cuba está à beira do colapso e que o país estaria disposto a fechar um acordo com Washington.
Funcionando no limite
Cuba recebeu apenas dois pequenos navios transportando importações de petróleo neste ano, segundo dados de rastreamento de embarcações da LSEG analisados pela Reuters na segunda-feira.
O primeiro petroleiro descarregou combustível em janeiro no porto de Havana, vindo do México, que até então era um fornecedor regular para a ilha. O segundo navio, procedente da Jamaica, descarregou gás liquefeito de petróleo — conhecido como gás de cozinha — em fevereiro.
A Venezuela, que já foi a principal fornecedora de petróleo de Cuba, não enviou combustível para a ilha neste ano. A estatal venezuelana PDVSA carregou gasolina em um petroleiro no mês passado — embarcação que anteriormente era usada para transportar combustível para Cuba —, mas o navio não deixou as águas venezuelanas, segundo documentos da empresa e dados de monitoramento de petroleiros.
Nenhuma grande importação entrou neste ano pelos principais centros de recebimento de petróleo de Cuba, em Matanzas ou Moa, que normalmente recebem petróleo bruto para refino e óleo combustível para geração de energia, de acordo com imagens de satélite analisadas pela TankerTrackers.com.
Os portos de Havana e Cienfuegos também não registram atividade de importação há mais de um mês.









