Entenda o que é o Facebook Papers e suas consequências
Vazamento de documentos trouxe à tona falta de ação da rede social para conter discurso de ódio

SBT News
O consórcio de veículos de imprensa que integra o Facebook Papers, série de reportagens baseada em documentos vazados da empresa de Mark Zuckerberg, divulgados nesta 2ª feira (25.out), traz desdobramentos das informações reveladas pela ex-funcionária da empresa Frances Haugen. Ela revelou informações em entrevistas e, em 5 de outubro, ela reafirmou ao Congresso dos EUA as acusações contra a companhia por disseminação de desinformação, falha em moderação do discurso de ódio e o papel do Facebook na invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021.
De acordo com Haugen, o Facebook conhece suas falhas, os danos de cada uma e precisa decretar "falência moral" para tentar corrigí-las. A ex-gerente de produtos da empresa entrou na companhia em 2019 e saiu em maio deste ano. Antes de deixar o prédio, fez cópias de documentos e comunicados e cedeu os dados aos jornais.
As reportagens, apuradas pelo consórcio de 17 veículos, incluindo The New York Times, The Washington Post, CNN, Reuters, Associated Press, Bloomberg, Politico, Le Monde, entre outros, deveriam ter sido publicadas todas nesta 2ª feira (25.out). No entanto, alguns jornais furaram o embargo e liberaram a informação antes.
O impacto da rede social na saúde mental de adolescentes é um dos pontos tratados na denúncia. De acordo com reportagem do Wall Street Journal, que não faz parte do consórcio, mas recebeu os documentos, o Facebook conhece todos os efeitos negativos de suas plataformas, inclusive do Instagram, que acabam incidindo mais sobre meninas jovens. O botão de likes, que tem efeitos prejudiciais, é um dos problemas da empresa. No entanto, o Facebook não resolve essa questão por ser uma ferramenta necessária para aumento do engajamento.
A disseminação de informações falsas é outro ponto presente nos documentos vazados. O Wall Street Journal citou documentos da empresa que revelam uma elite secreta, isenta das punições do Facebook, integrada por políticos e celebridades. No New York Times, uma reportagem mostra que funcionários da rede social fizeram alertas sobre desinformação eleitoral na plataforma e pediram ação urgente, mas a empresa enfrentou dificuldades para resolver os problemas.
A falha para diminuir a presença do discurso de ódio entre os usuários é mostrada em uma reportagem do Wall Street Journal, na qual há o relato da mudança em 2018 dos algoritmos que fazem com que conteúdos "raivosos" sejam mais divulgados. Além disso, a inteligência artificial do Facebook não consegue identificar consistentemente os posts que violam as regras da plataforma. Outro pronto, levantado pelo jornal Politico, é que o Facebook investiu poucos recursos para conter um fluxo constante de conteúdo com discurso de ódio em árabe em algumas das principais zonas de conflito no mundo. A invasão ao Capitólio também foi citada pelos jornais. De acordo com o Politico, o Facebook não tinha um manual claro para lidar o conteúdo que questionava as eleições nos Estados Unidos e, por causa disso, diversas postagens passaram pelo filtro da rede social e incitaram a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro.









