Ibovespa perde os 178 mil pontos e cai 0,95% na semana com guerra e juros
Valorização do índice, que estava acumulada em 17,17% antes da guerra, caiu para pouco mais de 10%


Exame.com
Depois de abrir esta sexta-feira (13) com um viés mais positivo para o risco, os principais ativos domésticos perderam força ao longo da sessão e encerraram o dia no vermelho. O Ibovespa fechou em queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos, acumulando baixa de 0,95% na semana.
Apesar da correção mais moderada nos últimos dias, o índice ainda sente os efeitos da forte aversão a risco que marcou o início do conflito no Oriente Médio.
Na semana passada, a primeira após o início da guerra envolvendo o Irã, o Ibovespa caiu 4,99% — o maior recuo semanal em quatro anos. A valorização do índice que, antes da guerra, estava acumulada em 17,17% caiu para pouco mais de 10%.
No câmbio, o dólar ganhou força frente ao real e fechou cotado a R$ 5,314, refletindo a busca global por ativos considerados mais seguros.
O desempenho da bolsa brasileira acompanhou o exterior. Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,61%, enquanto o Nasdaq caiu 0,93%. O Dow Jones terminou com baixa de 0,26%.
Por aqui, as blue chips, ações de grandes empresas com liquidez, recuaram. Os grandes bancos fecharam em queda assim como Vale (VALE3), que ignorou a alta do minério de ferro de 2,33% na bolsa de Dalian, na China. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) também fecharam no vermelho, contrariando o avanço do petróleo, em dia no qual anunciou um aumento de R$ 0,38 no valor do diesel, equivalente a 11,6%.
As ações da Braskem (BRKM5) lideraram as perdas do índice com queda de 6,97%. Do lado positivo, SLC Agrícola (SLCE3) puxou a lista com alta de 1,71%, acompanhada de BB Seguridade e Tim.
Guerra, petróleo e juros pesaram contra o Ibovespa
Entre os fatores que pressionaram os mercados está a persistência das tensões no Oriente Médio e o impacto do petróleo sobre as expectativas de inflação. Para Renato Reis, analista fundamentalista da Blue3 Research, a continuidade do conflito tem reforçado o temor de que os preços da commodity permaneçam elevados por mais tempo.
Hoje, o petróleo do tipo Brent, referência mundial, encerrou com alta de 2,67%, cotado a US$ 103,14, e o WTI avançou 3,11%, a US$ 98,71. Na semana, as altas acumuladas são de 11,27% e 8,59%, respectivamente.
"Sobre a queda, a gente teve alguns dados econômicos hoje, mas, na minha visão, muito do movimento vem da continuidade da guerra. Quando você percebe que o conflito não vai ser tão rápido quanto se imaginava, começa a surgir a perspectiva de petróleo mais alto por mais tempo. E o petróleo talvez seja hoje a principal variável para a inflação", afirmou.
Segundo ele, esse cenário pressiona as expectativas para a política monetária. "O Brasil estava perto da máxima histórica e havia uma expectativa muito grande de começar um corte de juros agora, relativamente rápido, de 0,5 ponto em várias reuniões seguidas. Quando você vê inflação mais forte e o petróleo não caindo, a curva de juros dispara. Ontem ela subiu cerca de 3% a 4% e hoje mais uns 3% a 4%. Isso é muita coisa para juros e acaba pesando muito na bolsa", argumenta.
Reis afirma que o impacto tende a ser maior sobre empresas ligadas ao ciclo doméstico.
“Quem sofre mais são as small caps ou companhias que não são exportadoras. A economia doméstica acaba caindo mais quando o mercado começa a precificar inflação mais alta por conta do petróleo e, consequentemente, juros mais altos também. Quando o investidor percebe que virou a chave, ele vende tudo de uma vez. Foi o que vimos na semana passada, com uma queda mais forte. Agora o mercado continua digerindo esse movimento porque a curva de juros segue subindo", afirmou.
Na mesma linha, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que o mercado brasileiro ainda reflete o ambiente global de maior aversão a risco. “O mercado acionário brasileiro se ressente, embora com menos intensidade do que antes, do ambiente avesso a risco nos mercados globais, impactados, sobretudo, pelo conflito no Irã e pela alta do petróleo, que afeta perspectivas para a inflação e juros globais.”
Segundo Perri, fatores domésticos também pesam na avaliação dos investidores. "Nesse sentido, fica claro que o mercado brasileiro responde ao movimento observado também nas bolsas americanas, tendo como ingredientes adicionais o IPCA de fevereiro, divulgado ontem, e o anúncio de aumento de combustíveis pela Petrobras, que trazem um ambiente mais restritivo para a tomada de decisão pelo Copom na semana que vem", disse.
Para Perri, o impacto vai além da próxima reunião de política monetária nesta quarta, 17. "Vejo que o movimento afeta não somente as expectativas para a reunião da próxima semana, mas também em relação à duração e intensidade dos cortes de juros, pressionando taxas de desconto que refletem na bolsa local", concluiu.









