Economia

Dividendos de empresas estrangeiras passam lucro pela 1ª vez

BC considera movimento de 2025 atípico e atribui avanço à mudança na tributação, que antecipou declarações sem exigir pagamento imediato aos acionistas

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Caio Barcellos
Sede do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Sede do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Empresas com investimento estrangeiro no Brasil declararam US$ 84,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio a pagar em 2025, valor superior aos US$ 72,6 bilhões de lucro obtidos no ano. Segundo o Banco Central (BC), o comportamento foi “atípico” e ocorreu pela primeira vez na série apresentada.

Com isso, os valores declarados para distribuição corresponderam a 117% dos lucros totais dessas empresas. Em 2024, essa proporção havia sido de 55%, quando foram declarados US$ 38,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.

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O BC relacionou o comportamento atípico à mudança na tributação de lucros e dividendos aprovada em 2025, que aumentou o volume de valores reconhecidos contabilmente antes do pagamento efetivo aos acionistas.

🔎 A Lei nº 15.270/2025 criou tributação sobre dividendos a partir de 2026, mas preservou as regras anteriores para lucros de 2025 cuja distribuição fosse aprovada ainda naquele ano. A norma permitiu que esses valores fossem pagos até 2028, o que criou incentivo para o reconhecimento antecipado dos dividendos.

Pagamentos ficam abaixo do valor declarado

O BC esclareceu que nem todo o montante declarado foi efetivamente enviado aos acionistas no ano passado. “Os lucros efetivamente pagos em 2025 somaram US$55,1 bilhões, representando 76% dos lucros totais auferidos no mesmo ano”, afirmou em nota.

A diferença fez o estoque de lucros e dividendos ainda a pagar pelas empresas saltar de US$ 7,4 bilhões no fim de 2024 para US$ 37,1 bilhões no encerramento de 2025, aumento de US$ 29,6 bilhões em apenas um ano.

Os novos dados também levaram o BC a revisar as estatísticas de remessas ao exterior. As despesas com lucros remetidos em 2025 passaram de US$ 44 bilhões para US$ 55,1 bilhões, enquanto os lucros reinvestidos no Brasil foram reduzidos de US$ 25,4 bilhões para US$ 17,4 bilhões.

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