Economia

Bolsas asiáticas abrem em queda após EUA anunciarem tarifas de 145% à China

Efeito também foi sentido no mercado norte-americano, que fechou novamente em baixa; Ibovespa teve perda de 1,12%

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Camila Stucaluc
11/04/2025, 05:04 • Atualizado em 11/04/2025, 07:37
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Bolsas asiáticas abriram em queda nesta sexta-feira (11) | Unsplash

Bolsas asiáticas abriram em queda nesta sexta-feira (11) | Unsplash

As principais bolsas de valores asiáticas abriram em queda nesta sexta-feira (11). O resultado veio após o governo dos Estados Unidos esclarecer que as tarifas aplicadas aos produtos chineses chegam a 145%, e não a 125%, como mencionado anteriormente pelo presidente Donald Trump.

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No Japão, os índices lideravam as perdas asiáticas, com queda de 4,61% no Nikkei e baixa de 4,30% no Topix, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, recuava 1,62%. As principais bolsas da China também registraram queda, com o CSI300 caindo 0,58%, o SSEC, de Xangai, desvalorizando 0,24% e o índice Hang Seng, de Hong Kong, com variação negativa de 1,05%.

O efeito também impactou o mercado norte-americano, que perdeu boa parte dos ganhos do dia anterior: a S&P 500 fechou a quinta-feira (10) em queda de 3,5%, o Dow Jones recuou 2,5% e o índice tecnológico Nasdaq caiu 4,3%. Houve ainda repercussão no Brasil, com o Ibovespa (principal Bolsa de Valores) fechando com perdas de 1,12%, e o dólar encerrando o dia cotado a R$ 5,897.

Recuo de Trump

A instabilidade no mercado global acontece depois que Trump recuou em relação ao ‘tarifaço’ e pausou por 90 dias a implementação das taxas comerciais a dezenas de países, mantendo um imposto universal de 10%. A decisão foi tomada em meio à procura das nações por diálogos com a Casa Branca.

“Com base no fato de que mais de 75 países convocaram representantes dos Estados Unidos para negociar uma solução para os assuntos em discussão relativos a Comércio, Barreiras Comerciais, Tarifas, Manipulação Cambial e Tarifas Não Monetárias, e que esses países não retaliaram de forma alguma contra os Estados Unidos, autorizei uma pausa de 90 dias”, disse Trump.

A medida, contudo, não englobou a China, que ainda teve a tarifa elevada para 145%. A ação aconteceu em resposta à retaliação de Pequim, que subiu para 84% as tarifas sobre os produtos importados dos Estados Unidos – o que foi visto como “um desrespeito” por Trump.

Com o anúncio, o governo chinês voltou a reagir e suspendeu negócios com 18 empresas norte-americanas, além de limitar “moderadamente” o número de filmes importados de Hollywood para o país. Pequim também apresentou uma nova queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando Trump de se envolver em táticas de "intimidação".

"O aumento tarifário é um erro em cima de um erro, destacando a natureza unilateral de intimidação das medidas dos Estados Unidos. A China salvaguardará firmemente seus direitos e interesses legítimos de acordo com as regras da OMC e defenderá resolutamente o sistema multilateral de comércio e a ordem econômica e comercial internacional”, disse o governo chinês.

Na mesma linha, o Ministério da Cultura e Turismo emitiu um aviso de viagem aconselhando “cautela” a seus cidadãos antes de viajar para os Estados Unidos. O mesmo foi feito pelo Ministério da Educação, que pediu aos estudantes que “realizem avaliações de risco de segurança” antes de decidir embarcar ao país. Nos comunicados, as pastas citaram “deterioração das relações econômicas e comerciais China-EUA e da situação de segurança interna nos Estados Unidos”.

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