Jornalismo

ANÁLISE: O que será de nós ano que vem? Por Carlos Nascimento

Leia a análise do âncora do SBT Brasil sobre a situação da economia brasileira para 2021

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Carlos Nascimento
10/12/2020, 11:01 • Atualizado em 30/10/2023, 21:50
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Nem cartomantes, nem videntes e nem astrólogos sabem como será o Brasil de 2021 | Foto: Unsplash

Esta pergunta não é feita para videntes, cartomantes ou astrólogos. Nem para os patrões, empresários, administradores, economistas e outros que poderiam trazer de volta os empregos perdidos e os negócios fechados pela pandemia.

É uma pergunta para o governo.

O Brasil atravessará as festas de fim de ano sem saber o que esperar de 2021. Falta-nos uma estratégia para recuperar a atividade econômica de modo coerente, articulado e minimamente previsível.

Todo comerciante que fechou as portas quer reabri-las, assim como os que perderam o emprego não veem a hora de voltar ao trabalho. Mas qual trabalho? 

Conheci a dona de uma agência de turismo que foi obrigada a encerrar o negócio na capital e hoje faz conservas de tomate seco na casa em que  nasceu, no interior. Haverá volta ? Um senhor que trabalhava com automação industrial aprendeu a montar quadros  e agora vende molduras. Até quando?

As prioridades, hoje são ou deveriam ser enfrentar a segunda onda da pandemia e realizar com êxito a campanha de vacinação. Mas isso não desobriga o governo de apresentar, antes do fim do ano, um programa de retomada econômica com a participação e o apoio do Congresso Nacional. 

Fala-se muito da recuperação "em V", o que significa sairmos do buraco com a mesma força e velocidade com que entramos. Será? Como os empresários e investidores arriscarão seus recursos sem saber para onde caminha o Brasil? 

O dólar recuou e a Bolsa de Valores subiu em novembro com a volta de investidores estrangeiros, mas esse é um dinheiro volátil que ao menor sinal de fumaça irá embora 

O maior risco que corremos hoje nessa praia é a perda do controle das contas públicas, o que levaria o País ao descrédito internacional, aí incluídos o desequilíbrio fiscal e a quebra do teto de gastos. 

Do ponto de vista prático podemos desenvolver um programa de infraestrutura e obras públicas com as chamadas PPP - Parcerias Público Privadas e criar empregos em todas as regiões do País.

Rodovias, ferrovias, aviação regional, linhas de transmissão de eletricidade, obras inacabadas e investimentos em saneamento, lixo, oferta de água e de moradias. 

Fora a concessão de serviços públicos que não interessam mais ao Estado e um pacote de privatizações interrompidas ou que nem saíram do papel. 

Nem tudo é possível prever quanto ao funcionamento das escolas , fábricas, escritórios e serviços no ano que vem. Muitas dessas atividades dependem do sucesso da vacinação e do recuo da pandemia. Ou seja descobriremos o que vai acontecer com o passar dos dias, semanas e meses de 2021. 

O que não tira a obrigação do governo de priorizar e tornar públicas as metas de recuperação econômica e organizacional do Brasil para o ano que vem. 

Pode ser inviável montarmos alternativas  A, B ou C, mas algum plano é preciso ter. Milhões de brasileiros dependem da reestruturação econômica e não podem viver de migalhas. 

Já não se trata de auxílios em dinheiro, bolsas ou donativos para a sobrevivência dos "invisíveis", como são chamados. Nem da criação de impostos milagrosos pois a arrecadação fácil é um convite ao uso indevido dos recursos. 

Hora de agir, ousar e governar. Caso contrário aumentarão a informalidade, a precariedade social, o desalento, a pobreza e a fome. Ninguém deseja isso, deseja?

*O jornalista Carlos Nascimento é âncora do SBT Brasil

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