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Operação contra a milícia prende 33 suspeitos no Rio de Janeiro

As investigações utilizaram conversas entre um policial civil e o ex-sargento Ronnie Lessa, acusado pela morte da vereadora Marielle Franco

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Operação contra a milícia prende 33 suspeitos no Rio de Janeiro
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A polícia civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta quinta-feira (30), trinta e três pessoas em uma operação de combate à ação de milicianos, em conjunto Ministério Público do estado.

As investigações tiveram como base a análise do celular de Ronnie Lessa, ex-sargento da polícia militar que está preso, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Dentre os contatos encontrados no celular de Lessa está Jorge Luiz Camillo Alvez, o chefe de investigações da delegacia da Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense, a quem o ex-sargento chama de "Amigo da 16" - em referência ao número do distrito policial. 

Escutas telefônicas revelaram que o policial civil recebeu propina de um integrante da milícia envolvida na construção dos dois prédios que desabaram na região da Muzema, no ano passado. "[Jorge Luiz] Falava abertamente com um foragido, demonstrava saber que se tratava de um foragido e, ao invés de cumprir um mandado de prisão, ele se rendeu para recolher o valor espúrio", explicou o promotor do MP do Rio de Janeiro, Marcelo Winter.

Os promotores também informaram que, ao longo desta investigação, não foram identificadas evidências de que o policial civil estivesse envolvido com o assassinato de Marielle e Anderson.

Segundo o Ministério Público, os presos fazem parte de uma milícia que atua há quase seis anos nas práticas de grilagem, construção e venda ilegais de imóveis, agiotagem, extorsão de moradores e comerciantes, além do pagamento de propina a agentes públicos. 

O MP também denunciou quarenta e cinco pessoas, dentre elas, três policiais civis e seis policiais militares. "O pior, são evidentemente pessoas que são pagas pela sociedade para defender os interesses da sociedade, que fazem concurso público, envolvidos com esse crime organizado", comentou o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Cláudio de Mello Tavares.

A ação desta quinta-feira foi um desdobramento da `Operação Intocáveis`, deflagrada em janeiro do ano passado. Os mandados de prisão foram cumpridos com a autorização de uma vara de Justiça recém-criada para o combate ao crime organizado. Atualmente, vinte e dois juízes no estado do Rio de Janeiro têm escolta armada porque foram ameaçados por milicianos. 
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