Transplantados com HIV: técnico disse à Polícia que "ordem era economizar" em testes
Ivanilson Fernandes dos Santos, funcionário do PCS Lab Saleme preso nesta segunda-feira (14), prestou depoimento à Polícia Civil
E
Emanuelle Menezes
PCS Lab Saleme | Fernando Frazão/Agência Brasil
O PCS Lab Saleme, laboratório investigado por emitir os laudos negativos que resultaram em pelo menos seis pacientes testando positivo para HIV após receberem órgãos infectados com o vírus, reduziu o controle de qualidade dos exames para economizar. A informação é do técnico Ivanilson Fernandes dos Santos, em depoimento dado à Polícia Civil do Rio de Janeiro após prisão nesta segunda-feira (14).
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Segundo Ivanilson, até dezembro de 2023 o controle de qualidade da sorologia era feito diariamente. A partir de janeiro de 2024, os testes passaram a ser semanais "por questão de economia dos kits de reagentes que são muito caros".
Os produtos químicos são utilizados em uma máquina analítica e, por causa do alto custo, permaneceram muito tempo no equipamento. No depoimento, o técnico disse acreditar que os erros podem ter acontecido porque os reagentes ficaram degradados.
"Podem ocorrer erros em face de que os reagentes ficam degradados por permanecerem muito tempo na máquina analítica; que o controle é uma segurança da certeza do resultado e por isso deve ser diário", disse.
Ivanilson Fernandes dos Santos chegou à Cidade da Polícia, no Rio, com uniforme de trabalho | SBT Rio
Segundo ele, a mudança foi comunicada pela coordenadora Adriana Vargas, que teria dito que "a ordem era economizar porque estava tendo muitos gastos". Ainda de acordo com o técnico, muitos dos produtos usados em testes eram entregues com validade bem perto de expirar.
Ivanilson disse à Polícia que acreditava que algo de errado poderia acontecer e que pensava em pedir demissão, mas que foi desligado na última sexta-feira (11).
O ginecologista e obstetra Walter Vieira, um dos sócios e responsável técnico do laboratório, também foi detido pela Polícia Civil. Ele é tio do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), ex-secretário de estado de Saúde do Rio de Janeiro.
Walter Vieira, um dos sócios do PCS Lab Saleme | Reprodução
Um dos laudos errados teria sido causado por um erro de Cléber de Oliveira Santos, coordenador de biologia do laboratório, "que deveria ter feito um procedimento de checagem do equipamento em que eram realizados os testes de HIV". Cléber é considerado foragido.
O médico afirmou que o segundo laudo com falso negativo foi causado por uma falha de Ivanilson, que teria digitado errado o resultado no sistema. Ainda segundo Walter, o erro não foi conferido por Jacqueline Iris Bacellar de Assis, que liberou e assinou o exame.
Jacqueline disse, em entrevista à TV Globo, que não era biomédica e sim uma funcionária administrativa do PCS Lab Saleme. Segundo ela, sua assinatura foi usada de maneira indevida nos laudos.
O laboratório nega. Segundo a defesa do PCS Lab Saleme, ela apresentou diploma de biomédica e carteira profissional, induzindo o laboratório a crer que ela tinha competência para assinar laudos. Jacqueline também está foragida e deve se entregar na delegacia na tarde desta terça-feira (15).
Transplantados com HIV: técnico disse à Polícia que "ordem era economizar" em testesIvanilson Fernandes dos Santos, funcionário do PCS Lab Saleme preso nesta segunda-feira (14), prestou depoimento à Polícia CivilBrasil2024-10-15T15:02:48.109ZO PCS Lab Saleme, laboratório investigado por emitir os laudos negativos que resultaram em pelo menos , reduziu o controle de qualidade dos exames para economizar. A informação é do técnico Ivanilson Fernandes dos Santos, em depoimento dado à Polícia Civil do Rio de Janeiro após prisão nesta segunda-feira (14). Segundo Ivanilson, até dezembro de 2023 o controle de qualidade da sorologia era feito diariamente. A partir de janeiro de 2024, os testes passaram a ser semanais "por questão de economia dos kits de reagentes que são muito caros". Os produtos químicos são utilizados em uma máquina analítica e, por causa do alto custo, permaneceram muito tempo no equipamento. No depoimento, o técnico disse acreditar que os erros podem ter acontecido porque os reagentes ficaram degradados. "Podem ocorrer erros em face de que os reagentes ficam degradados por permanecerem muito tempo na máquina analítica; que o controle é uma segurança da certeza do resultado e por isso deve ser diário", disse. Segundo ele, a mudança foi comunicada pela coordenadora Adriana Vargas, que teria dito que "a ordem era economizar porque estava tendo muitos gastos". Ainda de acordo com o técnico, muitos dos produtos usados em testes eram entregues com validade bem perto de expirar. Ivanilson disse à Polícia que acreditava que algo de errado poderia acontecer e que pensava em pedir demissão, mas que foi desligado na última sexta-feira (11). O funcionário foi , conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon). Ele é apontado como um dos responsáveis pelos com o vírus causador da Aids. Sócio culpou "falha humana" O ginecologista e obstetra Walter Vieira, um dos sócios e responsável técnico do laboratório, também foi detido pela Polícia Civil. Ele é , ex-secretário de estado de Saúde do Rio de Janeiro. Em depoimento, ele afirmou que há indícios de , segundo a sindicância interna aberta pelo laboratório. Um dos laudos errados teria sido causado por um erro de Cléber de Oliveira Santos, coordenador de biologia do laboratório, "que deveria ter feito um procedimento de checagem do equipamento em que eram realizados os testes de HIV". Cléber é considerado foragido. O médico afirmou que o segundo laudo com falso negativo foi causado por uma falha de Ivanilson, que teria digitado errado o resultado no sistema. Ainda segundo Walter, o erro não foi conferido por Jacqueline Iris Bacellar de Assis, que liberou e assinou o exame. Jacqueline disse, em entrevista à TV Globo, que não era biomédica e sim uma funcionária administrativa do PCS Lab Saleme. Segundo ela, sua assinatura foi usada de maneira indevida nos laudos. O laboratório nega. Segundo a defesa do PCS Lab Saleme, ela apresentou diploma de biomédica e carteira profissional, induzindo o laboratório a crer que ela tinha competência para assinar laudos. Jacqueline também está foragida e deve se entregar na delegacia na tarde desta terça-feira (15).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/transplantados-com-hiv-tecnico-disse-a-policia-que-ordem-era-economizar-em-testes
PL 'dribla' STF e exibe Jair Bolsonaro em vídeo de IA
Mensagem do ex-presidente foi exibida durante evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência após restrições impostas por Moraes
Associação dos delegados da PF vê risco para caso Master
Em entrevista ao SBT News, presidente da entidade dos delegados da PF diz que corporação aprendeu com anulações, segue protocolos e atua com preocupação