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Prefeito de SP diz que vai mudar nome da rua Peixoto Gomide, que homenageia feminicida

'Ter homenagem a quem matou a filha é surreal', afirma prefeito; projeto ainda precisa passar por segunda votação no Legislativo

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Rua Peixoto Gomide, nos bairro dos Jardins no centro de SP | Google Street View

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse ao SBT News que mudará o nome da Rua Peixoto Gomide, nos Jardins, para Sophia Gomide, caso o projeto de lei que trata da alteração seja aprovado na Câmara Municipal de São Paulo.

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“Ter homenagem a quem matou a própria filha é surreal. Aprovando [o projeto de lei], eu sanciono”, afirmou o emedebista.

O Legislativo paulistano aprovou a proposta na quarta-feira (18), em primeira votação, com 33 votos a favor e nenhum contrário. A segunda votação ainda não tem data marcada.

A Bancada Feminista do PSOL, responsável pelo projeto, defende a substituição do nome da rua como forma de reparação histórica. Em 1906, Peixoto Gomide, então senador paulista, assassinou a própria filha por não aceitar seu casamento e, em seguida, tirou a própria vida. Oito anos depois, ele foi homenageado pela Câmara Municipal com o nome da via.

O projeto de lei foi inspirado no artigo “Vias sujas de sangue”, da historiadora e pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Maíra Rosin, publicado na revista Quatro Cinco Um em julho de 2021. Nele, Rosin defende a renomeação de vias que homenageiam homens que cometeram crimes violentos contra mulheres.

“Mudar o nome da Rua Peixoto Gomide é o primeiro passo para reparar alguns erros que a cidade cometeu contra essas mulheres (...) Quando a cidade mantém nomes de feminicidas em suas ruas, não só endossa esse tipo de violência como também volta a violentar essas mulheres”, disse a historiadora ao SBT News.

Projetos semelhantes tramitam na Câmara Municipal com a proposta de alterar nomes de ruas que homenageiam autores de crimes contra mulheres. Um deles envolve o advogado Moacir Piza, que dá nome a uma rua na região central. Caso o texto seja aprovado, a via passaria a se chamar Nenê Romano, mulher assassinada por ele em 1923.

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