Brasil

Praias cheias, tensão alta: som alto, álcool e disputa por espaço aumentam conflitos no litoral

Operação Verão reforça policiamento nas praias de São Paulo após brigas, agressões e até homicídio em áreas turísticas do país

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O verão chegou com força total e, com as altas temperaturas, as praias do litoral paulista e de outras regiões do país ficaram lotadas. Mas, junto com o clima de festa, também crescem os problemas.

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Um dos principais focos de conflito é o uso de caixas de som portáteis na faixa de areia. Apesar de populares entre os frequentadores, esses equipamentos são proibidos por lei em muitas cidades do litoral. Em Praia Grande, por exemplo, quem desrespeita a regra pode receber multa de R$ 629,94, além de ter o aparelho apreendido.

Mesmo assim, parte dos banhistas tenta justificar o uso. "Volume baixo, de boa, sem confusão com ninguém", diz um frequentador. Já a aposentada Helena Devovato defende o respeito. "Pouco volume, né? Porque talvez o que eu gosto o outro não goste. Então tem que ser baixinho", afirma.

Segundo trabalhadores da praia, os desentendimentos são cada vez mais comuns. "Conflito tem. Por som alto não teve muito não, mas teve por espaço. Uma barraca em cima da outra, o pessoal não gosto", relata o garçom Vitor José Teles. "A gente tenta apaziguar o máximo possível."

As cenas se repetem em diferentes pontos do litoral brasileiro: praias cheias, disputa por espaço, consumo excessivo de álcool e falta de tolerância formam uma combinação perigosa. Para tentar conter a escalada de violência, o governo de São Paulo colocou em prática a Operação Verão, que começou em 15 de dezembro e vai até 20 de fevereiro. Ao todo, 812 policiais militares de outras regiões do estado foram deslocados para reforçar o policiamento no litoral.

De acordo com o tenente da Polícia Militar Ramon Bovenzo, as ocorrências vão muito além de pequenos desentendimentos. "As infrações giram desde infração de trânsito, desobediência às ordens policiais até mesmo posse ilegal de arma de fogo", explicou. "A gente está com cerca de 15 infratores da lei detidos e outros 12 recapturados."

Mesmo com o reforço, casos graves continuam acontecendo. No último dia 10, em Praia Grande, um homem de 55 anos foi agredido com um soco no rosto por um segurança de quiosque durante uma discussão por causa da conta, depois que um amigo perdeu a comanda. A ocorrência foi registrada como lesão corporal e está sob investigação da polícia.

Fora de São Paulo, a violência também chocou turistas e moradores. Em Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco, um turista de 32 anos, Rafael Ventura Martins, foi morto a tiros dentro de um restaurante à beira-mar. Segundo testemunhas, a confusão começou após uma discussão. Rafael foi atingido na cabeça, e o atirador conseguiu fugir.

Diante desse cenário, especialistas recomendam cautela. O especialista em segurança pública Ricardo Gennari orienta que o banhista pesquise antes de ir à praia. "É importante verificar primeiro o que está acontecendo: se ela está limpa, qual o nível de violência que as pessoas comentam nas redes sociais e, terceiro, você não levar nada. Levar dinheiro e talvez um cartão, nem celular”, alertou. Em caso de conflito, a recomendação é clara: sair imediatamente do local. "Se houver um atrito entre pessoas na praia, saia desse local, porque o que pode acontecer é você ser espancado ou furtado."

Apesar dos riscos, muitos ainda conseguem aproveitar o verão de forma tranquila. "A gente trouxe tudo da nossa cidade, viemos em conjunto, trouxemos tendas, comida, bebida, lotamos aqui e estamos curtindo com segurança. Até o momento está sendo muito bom", disse um grupo de turistas na Praia Grande.

Entre o lazer e a tensão, o recado das autoridades é direto: aproveitar a praia, sim — mas com respeito às regras, bom senso e atenção à própria segurança.

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