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Centro do Crime: Censo inédito da Polícia Civil mostra quem são os usuários de drogas

Dados coletados pela polícia durante operações na Cracolândia mostram pessoas, em sua maioria, sem estudo nem trabalho

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Derick Toda, Fabio Diamante, Robinson Cerantula
15/03/2024, 14:03 • Atualizado em 15/03/2024, 14:10
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Centro do Crime: Censo inédito da Polícia Civil mostra quem são os usuários de drogas

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O terceiro episódio da série do SBT Brasil “Centro do Crime”, exibido na quinta-feira (14), retrata quem são as pessoas que vivem na Cracolândia, localizada na região central de São Paulo.

Os repórteres Fábio Diamante e Robinson Cerantula mostram o Censo inédito da Cracolândia realizado pela Polícia Civil.

Durante seis meses, a cada operação no coração do tráfico da cidade, os policiais conduziam os dependentes químicos para a delegacia e os identificavam.

O Censo da Cracolândia registrou média de fluxo de usuários de drogas entre 400 e 600 pessoas, durante o dia, entre segunda e sexta-feira,

Quando a noite chega, o número aumenta, para 800 a 1200. Nos finais de semana, o número de usuários de drogas que fumam crack ao ar livre varia de 1200 a 2000.

Veja no gráfico abaixo o que o Censo diz sobre raça, gênero e incidência criminal:

Importância do Censo

Para o delegado Jair Barbosa Ortiz, o censo é importante para a Polícia Civil, Militar e a Guarda Civil, já que, a partir dele, os agentes vão saber com quem estão lidando.

“Olha como os fatores vão combinando, o sujeito não tem nenhuma estrutura. Ele vai crescendo em um universo ‘nem nem’. Nem estuda, nem trabalha, ele é um nada para ele mesmo e para sociedade”, afirma Jair Barbos Ortiz.

Além disso, um dos dados que mais chamam atenção é que 71% dos dependentes químicos nasceram no estado de São Paulo. Desses, 54% são da cidade de São Paulo e os outros 46% são do interior, o que reforça que a Cracolândia é um problema paulista.

Sobre escolaridade, veja o que o Censo diz:

A pesquisa mostrou o vínculo amoroso dos dependentes químicos. Pessoas solteiras são maioria na Cracolândia, representando 88%; casadas são 7% e somente 3% são divorciadas. Quem vive na região alega a falta de companhias verdadeiras.

Pedro (nome fictício) vive há pelo menos seis anos no fluxo. Antigo dono de uma padaria na zona leste da cidade, ele perdeu tudo após o vício. Ele afirma que, durante esse tempo, nenhum outro dependente andou ao seu lado e, quem se aproximava, só buscava a droga.

Mesmo gastando por dia quase R$ 200 em crack, Pedro afirma ter esperança de sair dessa condição, principalmente por ele e pela sua família.

“Eu tenho que me amar mais do que qualquer outra pessoa, mas, além de tudo, a família que eu tenho. Preciso sair por mim, mas por eles também. Eles merecem todo o respeito da minha parte porque minha mãe me criou. São dez filhos e é aquela mãe exemplo, uma mulher guerreira”.

Dentro do fluxo

O que o poder público demorou anos para descobrir – o perfil de quem vive na Cracolândia –, o psiquiatra Flávio Falcone, formado pela Universidade de São Paulo (USP), já sabia há mais de dez anos. Faz uma década que ele se veste de palhaço para tentar resgatar dependentes químicos da região,

Falcone é um dos poucos que têm acesso ao fluxo de drogas da região, com autorização do crime, para realizar seu projeto de redução de danos e recuperação social, o chamado TTT: Teto, Trampo e Tratamento.

Segundo Flávio Falcone, a Cracolândia é uma consequência do que ele chama de falsa abolição da escravidão no Brasil.

“A Cracolândia é uma consequência da nossa falsa abolição porque quem está na Cracolândia são os descendentes das pessoas que foram escravizadas e continuam recebendo a mesma tortura que seus descendentes. São pessoas pretas, pardas, sem escolaridade, que entraram para o crime organizado como única oportunidade que tinham, ainda no final da infância, aí o resultado disso só podia ser a tragédia que é a Cracolândia”.

Escolha do palhaço

Depois de tentar atender a população dependente química na região usando o tradicional jaleco branco, Falcone percebeu que os usuários o viam como uma autoridade e, diante disso, pouco queriam saber sobre tratamento.

Por isso adotou a figura do palhaço.

“O palhaço representa o erro, a imperfeição, o defeito e, na teoria do riso, o riso está justamente no erro. A gente ri do palhaço porque ele tropeça e não porque está andando direito. Os moradores de rua são as pessoas erradas da nossa sociedade, então uso o palhaço porque causa identificação imediata, inconsciente inclusive. Represento o lado que eles expressam, na doença, e também represento o lado na saúde”, explica”.

Segundo episódio

Na segunda reportagem da série, o SBT Brasil mostrou como atuam e quem são os traficantes da Cracolândia de SP

A reportagem detalhou a nova estratégia da polícia para combater o tráfico de drogas, com o uso de drones, câmeras de monitoramento, possibilitando prender criminosos importantes do crime organizado.

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