Brasil segue fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU
Taxa de subnutrição ficou abaixo de 2,5% entre 2023 e 2025, mas insegurança alimentar severa ainda atinge 1,2 milhão de pessoas
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SBT News, com informações da Agência Brasil
O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome, segundo o relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026" (SOFI, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (21). No triênio de 2023 a 2025, a proporção da população brasileira subnutrida ficou abaixo de 2,5%, limite adotado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para considerar um país fora do levantamento.
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O resultado confirma a trajetória de redução da fome registrada nos últimos anos. Entre 2020 e 2022, a prevalência da subalimentação no país era de 3,5%, mas o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome em 2025, com base nos dados do triênio de 2022 a 2024. A primeira saída ocorreu em 2014.
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Utilizado pela FAO há mais de 50 anos, o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês) estima a parcela da população que não tem acesso a calorias suficientes para manter uma vida saudável. O cálculo considera fatores como a distribuição de renda e a quantidade de alimentos disponível no país.
O fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, comemorou a manutenção do Brasil fora do mapa. Segundo ele, outros indicadores do relatório permitem estimar que a taxa atual de subalimentação no país esteja entre 0,6% e 0,7% da população.
"O relatório da FAO traz muito boas notícias para o Brasil", afirmou Graziano em entrevista à "Agência Brasil". "Pelo indicador utilizado, de prevalência da subalimentação, nós temos menos de 2,5% da população [passando fome]."
O relatório também mostrou que a insegurança alimentar severa caiu ao menor patamar da série histórica no Brasil. Entre 2023 e 2025, 0,6% da população estava nessa condição, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas.
No mesmo período, a insegurança alimentar moderada ou grave atingiu 9,6% dos brasileiros, cerca de 20,3 milhões de pessoas. O índice vem caindo desde o triênio de 2020 a 2022, quando era de 22,1%, e passou para 18,4% entre 2021 e 2023 e 13,3% entre 2022 e 2024.
A insegurança alimentar severa ocorre quando as pessoas ficam sem alimentos, passam fome ou, nos casos mais extremos, permanecem um dia inteiro ou mais sem comer. Na situação moderada, há incerteza sobre a obtenção de comida e redução da qualidade ou da quantidade dos alimentos por falta de dinheiro ou de outros recursos.
Apesar da melhora nos indicadores, Graziano alertou que o contingente de pessoas em situação de insegurança alimentar severa ainda é expressivo. O dado mostra que o problema persiste entre as parcelas mais vulneráveis da população.
Para a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, o enfrentamento da fome exige medidas conjuntas para elevar a renda, ampliar a oferta e o acesso a alimentos saudáveis e fortalecer os produtores. Ela também defendeu a substituição de produtos ultraprocessados por alimentos frescos, diversificados e nutritivos.
Custo da alimentação saudável
O relatório apontou uma melhora no acesso à alimentação saudável. A proporção de brasileiros sem condições de pagar por uma dieta adequada caiu para 21,1% em 2025, o equivalente a 44,8 milhões de pessoas.
Em 2021, pior resultado da série histórica, o índice era de 31,1%, ou 65,3 milhões de brasileiros. A diferença indica que, em quatro anos, 20,5 milhões de pessoas passaram a ter condições de bancar uma alimentação saudável.
Apesar do avanço, o custo diário de uma dieta saudável aumentou cerca de 4% no país. O valor passou de US$ PPC 4,69 por pessoa em 2024 para US$ PPC 4,89 em 2025.
O dólar PPC é uma unidade que considera as diferenças de custo de vida e de poder de compra entre os países. Mesmo com a alta, o custo registrado no Brasil ficou ligeiramente abaixo das médias da América do Sul, de US$ PPC 4,94, e da América Latina e do Caribe, de US$ PPC 4,91.
Para Graziano, a ampliação do acesso à alimentação saudável é especialmente importante diante do aumento da obesidade no país, principalmente entre crianças e adolescentes. Machiaveli alertou, porém, que a instabilidade dos preços dos alimentos ainda ameaça as populações mais vulneráveis.
A ministra defendeu investimentos em armazenagem e estoques públicos para reduzir os impactos da escassez e da inflação. Segundo ela, essas medidas ajudam a estabilizar os mercados e a manter os alimentos básicos acessíveis.
Fome mundial
No cenário mundial, a proporção da população em situação de fome caiu pelo terceiro ano consecutivo. O relatório estima que cerca de 645 milhões de pessoas sofreram com a fome em 2025, redução de quase 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.
A parcela da população mundial atingida pela fome caiu de 8,6% em 2022 para 8,1% em 2024 e 7,8% em 2025. Apesar da melhora, a FAO ressalta que a recuperação ocorre de forma desigual entre as diferentes regiões do mundo.
A Ásia, a América Latina e o Caribe registraram avanços graduais nos últimos três anos. A África, por outro lado, permanece como o continente com o maior número absoluto de pessoas em situação de fome, em meio a um cenário de rápido crescimento populacional.
Cerca de 309 milhões de pessoas sofreram com a fome no continente africano em 2025, o equivalente a 20% da população da região. Em 2024, a proporção era ligeiramente maior, de 20,3%.
O SOFI 2026 foi apresentado na sede da FAO, em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização. O documento foi elaborado em conjunto pela FAO, pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, pela Organização Mundial da Saúde, pelo Programa Mundial de Alimentos e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Brasil segue fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONUTaxa de subnutrição ficou abaixo de 2,5% entre 2023 e 2025, mas insegurança alimentar severa ainda atinge 1,2 milhão de pessoasBrasil2026-07-23T03:01:51.649ZO Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome, segundo o relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026" (SOFI, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (21). No triênio de 2023 a 2025, a proporção da população brasileira subnutrida ficou abaixo de 2,5%, limite adotado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para considerar um país fora do levantamento. O resultado confirma a trajetória de redução da fome registrada nos últimos anos. Entre 2020 e 2022, a prevalência da subalimentação no país era de 3,5%, mas o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome em 2025, com base nos dados do triênio de 2022 a 2024. A primeira saída ocorreu em 2014. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Utilizado pela FAO há mais de 50 anos, o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês) estima a parcela da população que não tem acesso a calorias suficientes para manter uma vida saudável. O cálculo considera fatores como a distribuição de renda e a quantidade de alimentos disponível no país. O fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, comemorou a manutenção do Brasil fora do mapa. Segundo ele, outros indicadores do relatório permitem estimar que a taxa atual de subalimentação no país esteja entre 0,6% e 0,7% da população. "O relatório da FAO traz muito boas notícias para o Brasil", afirmou Graziano em entrevista à "Agência Brasil". "Pelo indicador utilizado, de prevalência da subalimentação, nós temos menos de 2,5% da população [passando fome]." O relatório também mostrou que a insegurança alimentar severa caiu ao menor patamar da série histórica no Brasil. Entre 2023 e 2025, 0,6% da população estava nessa condição, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas. No mesmo período, a insegurança alimentar moderada ou grave atingiu 9,6% dos brasileiros, cerca de 20,3 milhões de pessoas. O índice vem caindo desde o triênio de 2020 a 2022, quando era de 22,1%, e passou para 18,4% entre 2021 e 2023 e 13,3% entre 2022 e 2024. A insegurança alimentar severa ocorre quando as pessoas ficam sem alimentos, passam fome ou, nos casos mais extremos, permanecem um dia inteiro ou mais sem comer. Na situação moderada, há incerteza sobre a obtenção de comida e redução da qualidade ou da quantidade dos alimentos por falta de dinheiro ou de outros recursos. Apesar da melhora nos indicadores, Graziano alertou que o contingente de pessoas em situação de insegurança alimentar severa ainda é expressivo. O dado mostra que o problema persiste entre as parcelas mais vulneráveis da população. Para a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, o enfrentamento da fome exige medidas conjuntas para elevar a renda, ampliar a oferta e o acesso a alimentos saudáveis e fortalecer os produtores. Ela também defendeu a substituição de produtos ultraprocessados por alimentos frescos, diversificados e nutritivos. Custo da alimentação saudável O relatório apontou uma melhora no acesso à alimentação saudável. A proporção de brasileiros sem condições de pagar por uma dieta adequada caiu para 21,1% em 2025, o equivalente a 44,8 milhões de pessoas. Em 2021, pior resultado da série histórica, o índice era de 31,1%, ou 65,3 milhões de brasileiros. A diferença indica que, em quatro anos, 20,5 milhões de pessoas passaram a ter condições de bancar uma alimentação saudável. Apesar do avanço, o custo diário de uma dieta saudável aumentou cerca de 4% no país. O valor passou de US$ PPC 4,69 por pessoa em 2024 para US$ PPC 4,89 em 2025. O dólar PPC é uma unidade que considera as diferenças de custo de vida e de poder de compra entre os países. Mesmo com a alta, o custo registrado no Brasil ficou ligeiramente abaixo das médias da América do Sul, de US$ PPC 4,94, e da América Latina e do Caribe, de US$ PPC 4,91. Para Graziano, a ampliação do acesso à alimentação saudável é especialmente importante diante do aumento da obesidade no país, principalmente entre crianças e adolescentes. Machiaveli alertou, porém, que a instabilidade dos preços dos alimentos ainda ameaça as populações mais vulneráveis. A ministra defendeu investimentos em armazenagem e estoques públicos para reduzir os impactos da escassez e da inflação. Segundo ela, essas medidas ajudam a estabilizar os mercados e a manter os alimentos básicos acessíveis. Fome mundial No cenário mundial, a proporção da população em situação de fome caiu pelo terceiro ano consecutivo. O relatório estima que cerca de 645 milhões de pessoas sofreram com a fome em 2025, redução de quase 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022. A parcela da população mundial atingida pela fome caiu de 8,6% em 2022 para 8,1% em 2024 e 7,8% em 2025. Apesar da melhora, a FAO ressalta que a recuperação ocorre de forma desigual entre as diferentes regiões do mundo. A Ásia, a América Latina e o Caribe registraram avanços graduais nos últimos três anos. A África, por outro lado, permanece como o continente com o maior número absoluto de pessoas em situação de fome, em meio a um cenário de rápido crescimento populacional. Cerca de 309 milhões de pessoas sofreram com a fome no continente africano em 2025, o equivalente a 20% da população da região. Em 2024, a proporção era ligeiramente maior, de 20,3%. O SOFI 2026 foi apresentado na sede da FAO, em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização. O documento foi elaborado em conjunto pela FAO, pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, pela Organização Mundial da Saúde, pelo Programa Mundial de Alimentos e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/brasil-segue-fora-do-mapa-da-fome-aponta-relatorio-da-onu