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Bacia Amazônica registra o menor volume de chuva em 40 anos

Com seca sem precedentes, pesquisa prevê mudanças na biodiversidade. No Brasil, 630 mil pessoas de 62 cidades são afetadas

Bacia Amazônica registra o menor volume de chuva em 40 anos
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A combinação entre clima seco, falta de chuva e altas temperaturas fez com que rios da Bacia Amazônica diminuíssem os níveis de água e começassem a secar. A região engloba nove países e enfrenta uma seca sem precedentes, com mudanças que colocam em risco espécies de animais e mais de 630 mil pessoas no Brasil. A mudança também afeta outras comunidades de Peru, Bolívia e Venezuela.

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O panorama é apresentado em novo relatório do Observatório Global da Seca, produzido pelo Centro Científico da União Europeia e publicado na última quarta-feira (20.dez).

A análise reuniu informações da Bacia Amazônica e registra que a região teve o menor número de chuva em mais de 40 anos. A diminuição se deu entre julho e setembro. O impacto, contudo, deve se agravar nos próximos meses, que são de seca.

“É uma situação preocupante porque os rios não vão conseguir subir muito, nem as chuvas. E como é um ano de [fenômeno] El Niño, situações de seca podem ser agravadas ainda mais em janeiro, fevereiro e março. Normalmente as secas acontecem no verão e dessa vez foi antes, aconteceu antes da primavera”, aponta o climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), um dos participantes do relatório.

Marengo também destaca que a mudança de clima aumenta o risco de incêndios. “Estão acontecendo queimadas em boa parte da Amazônia”, diz. “No caso da biodiversidade, acontece em todo lugar: quando tem incêndios, você também está afetando a fauna. No caso específico de peixes, tucuxi, peixes de grande porte, como botos cor-de-rosa, é algo claramente sem precedentes. Junto com o calor excessivo, afeta a biodiversidade”, completa.

A baixa de água em rios da bacia amazônica provocou uma emergência sanitária com morte de mais de 150 botos no Rio Solimões, interior do Amazonas, até o mês de outubro. O impacto segue.

No último sábado, (23.dez), o governo do estado divulgou em boletim que a fauna está sob risco, e que todas as 62 cidades estão em situação de emergência. São mais de 630 mil pessoas afetadas. Entre os problemas está a dificuldade de transporte de comunidades ribeirinhas, que sofre interferência pela baixa da água.

O estudo do Observatório Global da Seca também mostrou um aumento da temperatura, com variação entre 2ºC e 5ºC acima da média entre os meses de agosto e novembro. A mudança deve persistir, conforme a análise feita por especialistas.

“As previsões sazonais apontam para condições mais quentes e secas do que a média em toda a região amazônica, típicas de um evento El Niño forte a muito forte, em 2023-202”, afirma trecho da divulgação do estudo.

Redução da superfície da água no rio Amazonas nas proximidades do rio Urucú, no centro do estado do Amazonas, em setembro de 2022 e em setembro de 2023

Com destaque aos impactos do aquecimento global, Marengo diz que o principal ponto de atuação deve ser voltado à redução das emissões de gases e manutenção da floresta: “Obviamente reduzir o desmatamento, não só pela redução do corte de árvores, mas porque elas também absorvem CO2”.

Em meio à urgência da região, o climatologista mantém o alerta para os riscos de incêndios, com a recomendação de cuidado por parte de toda a população.

“Qualquer incêndio pequeno agora, por mais que seja uma pessoa limpando o quintal, por estar tudo seco pode pegar fogo rapidamente e aí começar o problema, porque municípios não têm bombeiros especializados, muitas vezes entram quando o fogo já começou. O normal é o estado de alerta e atenção", conclui.

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