Brasil

Entenda em 8 pontos a importância do Dia da Consciência Negra

No Brasil, negros são a maioria dos desempregados e das vítimas de violência policial, mas minoria entre juízes e políticos

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Emanuelle Menezes
cartaz com os dizeres 'chega de racismo, somos todos iguais' em manifestação do Dia da Consciência Negra

cartaz com os dizeres 'chega de racismo, somos todos iguais' em manifestação do Dia da Consciência Negra

Celebrado nesta 2ª feira (20.nov) para relembrar a luta dos negros contra a opressão, o Dia da Consciência Negra é uma data de reflexão sobre as desigualdades vividas por essa parcela da população -- a maioria dos brasileiros (56%), segundo dados do IBGE.

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Estatísticas variadas mostram que os negros brasileiros têm os piores índices sociais e econômicos do país. Um legado da forma como essa população foi tratada durante a escravidão e mesmo após o fim do regime, em 1888. O Brasil foi o último país a formalizar a abolição.

Negros são, entre outros dados desfavoráveis, a maioria dos desempregados e das vítimas de violência policial, e a minoria entre juízes e políticos. Veja levantamento feito pelo SBT News:

Desemprego três vezes maior

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em maio, apontou as taxas de desemprego entre que pessoas que se declaram pretas e pardas são três vezes maiores do que as das brancas no primeiro trimestre de 2023.

A taxa de desemprego para pretos e pardos foi de 21,4%, enquanto a de brancos chegou a 6,8%. Está também entre os negros o maior número de trabalhadores informais, o que, segundo a analista da pesquisa, Alessandra Brito, é "um padrão estrutural do Brasil".

Entre os que trabalham, a desigualdade salarial é uma realidade. No segundo trimestre de 2022, segundo a Pnad Contínua, trabalhadoras negras ganharam, em média, R$ 1.715, e o homem negro, R$ 2.142.

Isso significa que a mulher negra recebeu, em média, menos da metade (46,3%) do que um homem branco (R$ 3.708). Na mesma comparação, o homem negro recebeu 58,8% do salário de um homem branco.

20% das famílias negras passa fome

Em junho, o 2° Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (VIGISAN), da Rede Penssan, mostrou que uma em cada cinco famílias chefiadas por pessoas autodeclaradas pardas ou pretas no Brasil sofre com a fome, o dobro em comparação com lares chefiados por pessoas brancas (10,6%).

A situação é ainda mais grave quando se leva em conta o gênero: 22% dos lares chefiados por mulheres autodeclaradas pardas ou pretas sofrem com a fome, enquanto a porcentagem de famílias comandadas por mulheres brancas é de 13,5%.

4 em cada 5 brasileiros que não têm banheiro em casa são negros

As pessoas autodeclaradas pretas e pardas são a maioria entre a população em privação de acesso à rede geral de abastecimento de água, respondendo por 65,9% do total em 2022, mais que o dobro dos brancos (32,8%). São quase 18 milhões de negros afetados.

Ainda segundo estudo do Instituto Trata Brasil, 4 em cada 5 brasileiros que não têm banheiro em casa são pretos e pardos (84,3%). Isso corresponde a mais de 3,7 milhões de pessoas.

Do total de pessoas sem acesso aos serviços de coleta de esgoto, 67% se autodeclaram pretas e pardas, quase 47 milhões de brasileiros.

Negros são as maiores vítimas da violência policial

A cada quatro horas, uma pessoa negra foi morta pela polícia dos oito estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança (Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo), em 2022.

O novo boletim "Pele Alvo: a bala não erra o negro" demonstra que a população negra é a maior vítima da violência policial. De 3.171 registros de morte, com informação de cor/raça declaradas, 2.770 são de pessoas negras (87,35%).

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pretos e pardos são 83,1% das vítimas em casos de intervenções policiais.

Oportunidades educacionais distintas

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua): Educação 2022, divulgada em junho, mostrou que as oportunidades educacionais no Brasil são distintas a depender da cor da pele.

A taxa de analfabetismo de pretos e pardos (7,4%) no Brasil é duas vezes maior que a dos brancos (3,4%). Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo dos brancos alcançou 9,3%, enquanto entre pretos e pardos ela chegava a 23,3%.

Outro dado revelado pela pesquisa mostra que, em 2022, a proporção de pretos e pardos com 25 anos ou mais que terminaram pelo menos a educação básica obrigatória – ou seja, concluíram, no mínimo, o ensino médio – foi de 47%, enquanto entre brancos a proporção foi de 60,7%.

Brasil tem mais de 500 mil presos negros

Em 2022, a quantidade de pretos e pardos entre a população prisional chegou a mais de 567 mil. Esse número é o equivalente a 68,2% do total (832 mil) de presos.

Segundo o 17° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, é a maior taxa desde o início da série histórica. "Em outras palavras, o sistema penitenciário deixa evidente o racismo brasileiro de forma cada vez mais preponderante. A seletividade penal tem cor", diz o estudo.

Menos de 15% dos juízes brasileiros são negros

O Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostrou que pessoas pretas e pardas correspondem a apenas 14,5% dos magistrados e magistradas brasileiros.

Nas Cortes superiores, a participação também é ínfima:

  • dos 170 ministros que já passaram pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apenas três eram pretos ou pardos. Pedro Lessa (1907-1921) e Hermenegildo Barros (1919-1937) fizeram parte do Supremo na primeira metade do século 20. Mais de 60 anos depois da saída de Hermenegildo, Joaquim Barbosa foi indicado para a Corte. Desde que ele se aposentou, em 2014, o STF está sem nenhum ministro negro;
  • no Supremo Tribunal de Justiça (STJ), dos 75 ministros que já compuseram o Tribunal, apenas Benedito Gonçalves se declara negro. Indicado em 2008, ele permanece na Corte até os dias atuais;
  • pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) já passaram, desde 1958, quatro ministros que se declararam pretos ou pardos. O presidente da Corte, Lelio Bentes Corrêa, que se autodeclara pardo, é o único a compor o plenário do Tribunal atualmente;
  • a ministra Edilene Lôbo, indicada em 2023 para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é a primeira mulher negra da história da Corte eleitoral. Antes dela, fizeram parte do Tribunal os ministros Joaquim Barbosa e Benedito Gonçalves.

Baixa representatividade política

No Congresso Nacional, também há baixa representatividade da população negra. Na Câmara dos Deputados, dos 513 parlamentares, 134 se declaram pretos ou pardos – menos que um terço da Casa Legislativa. No Senado, somente 1 em cada quatro senadores se autodeclara preto ou pardo: 20 dos 81.

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