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Pacientes da rede pública enfrentam filas para implantar o marca-passo

Só em Porto Alegre, mais de 100 pessoas esperam pelo aparelho

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Pacientes da rede pública enfrentam filas para implantar o marca-passo. Só em Porto Alegre, mais de 100 pessoas esperam pelo aparelho.

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Um simples passo é um esforço grande para o coração da dona Ieda. A validade do marca-passo dela venceu no ano passado. A aposentada aguarda, há sete meses, a cirurgia para a troca do aparelho.

Cansada da espera, Ieda Lazarotti Rocha recorreu à Justiça: "Eu queria muito ainda viver mais um pouco porque eu quero muito ver o aniversário da Dani, os 15 anos dela, e de todos meus netos, crescerem e se formarem"

O problema surgiu depois que o Ministério da Saúde cortou quase R$ 300 milhões da verba destinada à compra de materiais para procedimentos cardíacos. A decisão foi tomada há pouco mais de um ano. O valor do repasse, pelo aparelho básico, caiu pela metade, de R$ 4.324 para R$ 2.767.

Além do Rio Grande do Sul, pelo menos mais quatro estados registram filas para a implantação do marca-passo, como Ceará (22 pessoas), Pará (68), Distrito Federal (6) e Santa Catarina (90).

Porto Alegre foi a capital que teve o maior corte da verba para aparelhos cardiológicos, cerca de R$ 16 milhões. A Secretaria Municipal da Saúde informou que, em julho do ano passado, notificou o ministério sobre o problema. Sem solução, a prefeitura complementou parte dos recursos.

"É um problema que está se cronificando, e nós precisamos trabalhar muito forte, e é por isso que há a necessidade de uma ação coletiva no sentido de reverter essa situação que não deveria ter existido", diz Mauro Sparta, secretário de Saúde de Porto Alegre.

Só a Santa Casa de Porto Alegre realizava cerca de 500 cirurgias por ano para implantar ou trocar marca-passo e desfibrilador. Agora, a fila de espera é de 62 pacientes.

"Nós temos dezenas de ordens judiciais sempre em andamento porque, com uma fila de espera de mais de 60 casos, evidentemente que bate o pavor e o pessoal procura então através de advogados o seu direito. Nunca imaginei ter que viver esses momentos que nós estamos lá resolvendo problema de paciente por paciente numa situação extremamente difícil", afirma Fernando Lucchese, chefe da cardiologia da Santa Casa de Porto Alegre.

O Ministério da Saúde informou que repassa, regularmente, recursos para procedimentos hospitalares, e que a gestão e financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é compartilhada entre Inião, estados e municípios.

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