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Sociedade de Angiologia faz campanha sobre cuidado com saúde vascular

Segundo Ministério da Saúde, doenças vasculares causaram a morte de 375.067 pessoas em 2021

Sociedade de Angiologia faz campanha sobre cuidado com saúde vascular
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A importância do cuidado com a saúde vascular ganhou destaque no Brasil, neste mês, com a realização de uma campanha por parte da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Denominada Agosto Azul Vermelho, a ação visa a compartilhar informações com as pessoas sobre doenças que atingem vasos sanguíneos e linfáticos, como trombose venosa profunda (TVP), acidente vascular cerebral (AVC) e embolia pulmonar. Para isso, a iniciativa inclui o lançamento de um manual digital, chamado de Cartilha de Cuidados com a Saúde Vascular; incentivo à publicação de fotos de médicos angiologistas e cirurgiões vasculares com pacientes nas redes sociais; e iluminação de pontos turísticos e outros, como o Congresso Nacional, com as cores azul e vermelho.

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De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças vasculares mais frequentes no Brasil causaram a morte de 357.741 pessoas em 2020, no país, e de 375.067 em 2021 (alta de 4,84%). No primeiro ano, foram 90.465 óbitos por infarto agudo do miocárdio, 37.600 por hipertensão essencial primária, 35.172 por AVC, 27.775 por insuficiência cardíaca e 19.945 por doença cardíaca hipertensiva. Já no ano passado, 91.374 por infarto agudo do miocárdio, 38.603 por hipertensão essencial primária, 36.068 por AVC, 16.682 por insuficiência cardíaca e 15.202 por hemorragia intracerebral. A pasta explica que os números de 2021 são preliminares.

Ainda conforme o Ministério da Saúde, em 2020, foram realizados 55.645 procedimentos médicos de alta complexidade relacionados às doenças vasculares, no país. Já em 2021, foram 64.853 (alta de 16,5%). Para o presidente da SBACV-SP, Fábio Rossi, a campanha Agosto Azul Vermelho é necessária porque "a cirurgia vascular é muito conhecida pelo tratamento das varizes, dos vasinhos, e a população não sabe, de uma forma geral, que o [cirurgião] vascular trata outras doenças às vezes muito mais graves, como o AVC, que a gente chama de derrame também popularmente, o aneurisma de aorta abdominal, a trombose, a embolia pulmonar".

Sobre o aneurisma, acrescenta que é uma doença "complicada", pois a maioria dos pacientes com ela são assintomáticos "e, se você não fizer o diagnóstico precocemente, a primeira manifestação pode ser a ruptura [da aorta], que é a sua consequência mais grave, o que pode levar à morte". Ainda de acordo com Rossi, as doenças cardiovasculares, ou seja, problemas cardíacos que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como o infarto agudo do miocárdio, são as principais enfermidades que levam a óbito na sociedade ocidental.

O médico especialista em cirurgia vascular e endovascular Igor Sincos, por sua vez, afirma que a campanha da SBACV é "fundamental na conscientização da população relacionado aos problemas vasculares". "A gente tem um foco muito grande na mídia em relação aos problemas ginecológicos, das mulheres, à próstata, para o homem, a parte de prevenção do câncer, diagnóstico precoce, a parte cardiovascular, que são os problemas do coração que leva ao infarto, a parte de AVC, e a parte vascular sempre fica em segundo plano", completa.

Com a iniciativa, em sua visão, a população é conscientizada a "fazer um check-up vascular e, com isso, fazer um diagnóstico antes de ter o problema". "Porque é muito mais fácil tratar", pontua. Sincos alerta que, se houver a obstrução de uma artéria, que faz parte do sistema vascular do corpo, a pessoa sofre um AVC, uma isquemia de perna ou no rim, ou infarto. Já se houver a obstrução de uma veia (trombose venosa), o trombo pode ir para o pulmão, causando então a embolia pulmonar - cujos sintomas incluem falta de ar, dor no peito e tosse.

Pandemia

Fábio Rossi e Igor Sincos ressaltam que a pandemia de covid-19, que começou em 2020, contribui para o surgimento de casos de doenças vasculares. Segundo o presidente da SBACV-SP, a doença está relacionada "com tromboembolismo venoso" e, dessa forma, houve um aumento na frequência de aparecimento de casos do problema na crise sanitária e, consequentemente, na de embolia pulmonar também. Nas palavras de Rossi, "existem alguns estudos que apontam que praticamente 50% dos pacientes com covid que tiveram que ir para a UTI falecerem de embolia pulmonar".

A covid pode causar também trombose arterial. O especialista reforça que houve "episódios raros de trombose relacionada à vacinação" contra o coronavírus, mas os cirurgiões vasculares seguiram recomendando que a vacinação é "superimportante", pois "o risco de você ter um episódio de tromboembolismo venoso com ela é muito, muito, muito menor do que se você contrair a doença".

Neste mês, nas redes sociais, ao comentar as notícias sobre a morte do cantor sertanejo Lucas Guedes, vítima de infarto, e sobre o princípio de AVC que levou o marqueteiro da campanha de Ciro Gomes (PDT), João Santana, à UTI, internautas culparam a vacinação contra covid pelos quadros, sem que qualquer menção pública sobre eventual relação tivesse sido feita por profissionais ou pessoas próximas às vítimas. Como Rossi, Sincos pontua que "o risco de ter uma complicação vascular assim [com a vacina] é infinitamente inferior, principalmente na especialidade relacionada à trombose, a chance de você ter uma trombose relacionada à vacina é muito, mais de mil vezes menor do que se tiver a covid, que aí a chance é muito mais alta".

Não existe, reforça o especialista, dados científicos para fazer uma correlação automática da vacina com um problema vascular, então é indicado "sempre tomar as vacinas". Os imunizantes, de acordo com Sincos, são relativamente novos, "a gente não tem certeza absoluta de todos os efeitos colaterais, mas tudo que tem de publicação científica, de artigo científico mostra que tem uma melhora importantíssima [no controle da pandemia] e a gente vê na prática".

O especialista fala também que a crise sanitária contribuiu/contribui para o surgimento de casos de doenças vasculares de duas formas: o Sars-CoV-2 causa trombose venosa e embolia pulmonar, e as medidas restritivas de circulação para frear o avanço do coronavírus, pessoas deixaram de praticar atividade física, se alimentar de forma adequada e tomar sol, fatores importantes para reduzir a chance de ter problemas vasculares. "Às vezes a pessoa até tinha o problema, mas estava relativamente controlado. Com essa perda de atividade física e piora da alimentação, acabou havendo uma evolução mais rápida do que aconteceria se ela tivesse mantido o mesmo estilo de vida que ela tinha antes", fala o médico.

A pandemia, relembra Rossi, fez ainda com que muitas pessoas com doença cardiovascular que estavam em tratamento ambulatorial parassem de ir aos serviços médicos, por causa do risco de se contaminar com covid, "e aumentou muito o número de manifestações mais graves". "Então nos hospitais, principalmente do SUS, a gente tem visto um aumento muito grande de casos mais graves de doenças vasculares, sobretudo a isquemia dos membros inferiores. Isso levou a um aumento  do número de amputações, da necessidade de amputações".

Prevenção

Para evitar o desenvolvimento de doenças vasculares, as principais recomendações da SBACV é ter uma alimentação saudável, com verduras, legumes e frutas, se hidratar, praticar exercício físico e não aderir ao tabagismo. Igor Sincos também fala sobre a importância de se exercitar: "O principal é a atividade física. Exercício físico. Eu passo muito para os pacientes a necessidade de você fazer um treinamento físico, porque toda a sua parte cardiovascular ela é alterada, não só para o coração".

Ele recomenda "fazer pelo menos 150 minutos de caminhada por semana e mais dois dias de exercício de força, seja um funcional, musculação, crossfit, algo que você realmente tenha contração muscular". "Se você associar o aeróbico com a parte de musculação, realmente muda muito o futuro dos problemas vasculares". O tabagismo, pontua também, deve ser evitado.

De acordo com o Ministério da Saúde, "o SUS oferece tratamento para as doenças vasculares e reconhece que as mesmas necessitam de monitoramento constante, evitando que evoluam para um problema que leve ao afastamento definitivo do trabalho, perda de membro ou, até mesmo, à morte". No país, são 222 estabelecimentos de saúde habilitados em cirurgia vascular.

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