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Desmatamento contínuo projeta Amazônia com déficit de biodiversidade

Ações humanas também impactam no ciclo hidrológico do país e aceleram o aquecimento global

Desmatamento contínuo projeta Amazônia com déficit de biodiversidade
Em 2021, o desmatamento alcançou a maior taxa em dez anos, registrando 10.362 km² de devastação | Divulgação/Greenpeace
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O desmatamento na Floresta Amazônica vem apresentando, nos últimos anos, números altos e preocupantes para o meio ambiente. Conhecida como "pulmão do mundo", a área florestal reúne inúmeras espécies da fauna e flora brasileiras, além de auxiliar no controle da temperatura por meio do ciclo hidrológico. Sua autorregeneração, no entanto, está começando a ser afetada pela constante ação humana, o que representa uma forte ameaça à população nacional e, consequentemente, internacional.

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De acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, os últimos quatro anos foram os que mais apresentaram devastação de área acumulada. Em 2018, por exemplo, a derrubada de floresta chegou a 5.375 km², aumentando para 6.200 km² em 2019 e 8.096 km² no ano seguinte. Em 2021, o desmatamento alcançou a maior taxa em dez anos, registrando 10.362 km² de devastação. Para esse ano, a previsão, infelizmente, não é diferente, uma vez que apenas durante o mês de fevereiro foram contabilizados 303 km² de mata nativa destruída -- aumento de quase 70% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em relação aos nove estados da Amazônia Legal, Mato Grosso foi o que mais desmatou pelo segundo mês seguido em 2022. Apenas em fevereiro, 96 km² de floresta foram derrubados em solo mato-grossense, o que corresponde a 32% do total. Com isso, Mato Grosso também foi o estado que registrou a maior alta na devastação em relação a fevereiro do ano passado, de 300%. Em seguida, aparecem o Pará, com 82 km² (27%) e o Amazonas, com 74 km² (24%).

"Essa alta é extremamente grave diante da emergência climática que estamos vivendo, já que o desmatamento contribui com o aquecimento global, que por sua vez intensifica as mudanças climáticas que ocasionam os eventos extremos. Relatórios assinados por centenas de cientistas de todo o mundo têm alertado que, caso não consigamos barrar o aumento do aquecimento global, vamos sofrer com maior frequência e intensidade de fenômenos extremos como tempestades e secas", diz a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim, citando como exemplo de instabilidade climática as fortes chuvas registradas na Bahia e em Minas Gerais no ano passado.

A afirmação de Larissa é reforçada por Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil, que explica que o alto nível de destruição florestal também pode ter um impacto negativo na biodiversidade local e colocar em perigo inúmeras espécies de plantas, insetos e animais. Além disso, a ação mexe com o ciclo hidrológico administrado pela mata, ou seja, desequilibra a quantidade de água que é absorvida pela floresta e impacta, consequentemente, na produção de chuvas para a região. Tal cenário faz com que o nível dos rios nacionais também seja impactado, podendo interromper o abastecimento de várias regiões, incluindo Centro-Oeste e Sudeste, áreas grandes produtoras.

"Costumamos utilizar a analogia de que a Amazônia é o pulmão do mundo devido à produção de exigência, mas o principal fornecedor de oxigênio são as algas marítimas. Por isso, eu prefiro utilizar então a expressão 'coração do mundo', uma vez que a floresta bombeia bilhões de toneladas de água para a atmosfera", comenta Batista. "Essa atmosfera serve como um regulador climático global. Ao perder essa capacidade de bombear a água para a atmosfera, mexemos no clima mundial, com o ar ficando mais seco, por exemplo", esclarece.

Um estudo recente publicado no jornal científico Nature Climate Change apontou que ao menos 50% da Amazônia está próximo de se tornar uma grande savana, o que aceleraria ainda mais as mudanças climáticas já nas próximas décadas. Segundo os pesquisadores, imagens de satélite mostraram que mesmo as áreas de densa floresta estão demorando mais tempo para se recuperar de perturbações, como queimadas e desmatamento, quando comparado com a habilidade de 20 anos atrás. Para os autores, essa diminuição da resiliência é um sinal de alerta de um declínio irreversível.

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"Se atingirmos o chamado 'ponto de não retorno', quando a floresta não consegue mais se autorregenerar, a área ficaria muito mais seca e muitas espécies não estariam adaptadas. Isso faria, então, que a floresta ficasse com uma cara de mata degradada e seca, perdendo muito da biodiversidade e muito dos serviços ecossistêmicos que ela oferece", diz Batista. Para ele e para Larissa, é imprescindível que a fiscalização ambiental seja intensificada, bem como a valorização das carreiras ambientais. Além disso, a criação de áreas de conservação em terras indígenas também está entre as ações mais eficazes para preservar o desmatamento.

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