Guerra no Oriente Médio pressiona custos e ameaça alta no preço do pão francês no Brasil
Com dependência de trigo importado, alta do petróleo, do diesel e dos fretes pode encarecer a farinha e levar reajuste de 6% a 10% nas padarias
Magdalena Bonfiglioli
A guerra no Oriente Médio já provoca efeitos sobre a cadeia de alimentos no Brasil e pode pesar no bolso do consumidor. Com o petróleo mais caro, representantes do setor avaliam que o pão francês deve subir de preço nos próximos dias.
O impacto começa no trigo, base da farinha usada pelas padarias. Hoje, apenas 40% do trigo consumido no país é produzido internamente, enquanto os outros 60% são importados, em um volume de cerca de 6 milhões de toneladas por ano.
Segundo a indústria moageira, a alta do petróleo, do gás, do diesel, dos fertilizantes e dos fretes elevou os custos em diferentes etapas da produção. “Você tem o aumento do petróleo e do gás de um lado e dos fertilizantes de outro. Como nós fazemos tudo por rodovia, tudo tem um impacto”, afirmou Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Além da farinha, outros itens que compõem o preço final do pão também já estão mais caros. De acordo com o setor, 28% do custo vêm da farinha e de outros ingredientes, 14% de embalagens e mão de obra, 28% de energia elétrica e 30% de impostos, aluguel e margem de lucro.
Nas padarias, a avaliação é que o repasse ao consumidor deve acontecer em breve, mesmo antes de a farinha ser reajustada. “Não tenho dúvida de que nos próximos dias o aumento virá. De 6% a 10%, não tem como fugir desta realidade”, disse Rui Gonçalves, presidente do Sampapão.
Rui também destacou que o impacto do petróleo vai além dos combustíveis e atinge insumos usados no dia a dia das padarias. “O que o plástico tem a ver com o pão? A farinha de trigo vem dentro de um saco plástico, nós usamos saco plástico para vender os pães”, afirmou. Segundo ele, o pão é “insubstituível” e segue como um dos alimentos mais importantes na mesa da população.








