Uma Washington diferente para a posse de Joe Biden e Kamala Harris
Contingente de militares na capital americana supera em cinco vezes as tropas enviadas ao Afeganistão e Iraque

Capitólio em Washington DC

Barreira militar com homens da Pensilvânia enviados à Washington DC. Foto: Patrícia Vasconcellos
Para a posse do dia 20 de janeiro, o comitê que organiza o evento avisou que apenas um número restrito de convidados estará presente em frente ao Capitólio. Serão mil - um convite foi entregue a cada congressista que terá o direito de levar um convidado. Em anos normais são 200 mil convites distribuídos. O novo presidente americano, de 78 anos, informou que não usará máscara para o juramento. Quem estiver no palco, com ele, terá que passar por um exame de detecção da Covid19 e o resultado deverá ser entregue com antecedência. Na Avenida Pensilvânia, que liga o Capitólio à Casa Branca, as bandeiras já estão posicionadas e o evento ali no dia 20 também será inédito. Biden vai fazer o trajeto em um desfile que será transmitido virtualmente. Nos passeios, já protegidos com grades, apenas pessoas autorizadas pelo governo e pelo Serviço Secreto poderão ter acesso na quarta-feira. Todos serão posicionados respeitando o distanciamento social necessário para prevenir o contágio com o novo coronavirus. A orientação dada pelos governos locais é para que os americanos acompanhem tudo de casa, pela tevê, celular ou computador.

Camisetas com o slogan de Trump "Keep America Great" com anúncio de desconto na estação de trem Union Station em Washington DC. Foto: Yves Goulart
"É de partir o coração ver a cidade assim, interditada, especialmente para os residentes locais. Deveria ser um momento de celebração mas a cidade é forte e assim permaneceremos, firmes" diz Zak Sawyer, morador da capital dos Estados Unidos. Ele afirma que, se a mesma proteção tivesse acontecido há algumas semanas o Capitólio não teria sido invadido. Ele e o namorado Brian Shaw caminhavam em uma rua onde as barreiras militares estão posicionadas em cada cruzamento. Brian disse que a mensagem para o mundo de tudo o que está acontecendo é que os americanos são resilientes. Para a semana da posse de Joe Biden e Kamalla Harris, a polícia dividiu Washington em uma área verde e outra vermelha, mais próxima aos edifícios que sediarão o evento da próxima quarta-feira, dia 20. Para entrar no perímetro interditado e com maior segurança, é preciso passar por bloqueios. Os militares param os carros, olham o interior e questionam ao motorista e passageiros quem são e para onde vão. Será assim ao menos até 21 de janeiro, primeiro dia do governo democrata.

O casal Zak Sawyer e Brian Shaw, moradores de Washington DC. Foto: Patrícia Vasconcellos
Em frente a uma das barreiras militares, uma imagem também chamou a atenção. Moradores de rua estão morando em barracas montadas em uma praça que fica a cinco quarteirões da Casa Branca. Questionados de onde são, dois jovens afirmaram que vieram de Porto Rico e que a situação econômica pioriou nos últimos meses. Monte Burroughs e sua filha de 14 anos foram até lá levar sanduiches comprados em uma loja de fast food. "Não espero nada de nenhum governo. Acho que nós, cidadãos, devemos agir e ajudar o próximo" disse Monte Burroughs depois de entregar os alimentos. Ele vai acompanhar a cerimônia de Biden e Kamalla Harris de casa e afirma que espera que o clima de tensão nas ruas melhore nos próximos dias.

Monte Burrougs e sua filha após a entrega de alimentos aos moradores de rua acampados na praça a cinco quarteirões da Casa Branca. Foto: Patrícia Vasconcellos













