Economia

Nostalgia impulsiona consumo e faz brasileiros reviverem memórias afetivas

Pesquisa revela que 8 em cada 10 brasileiros compram produtos que despertam lembranças da infância

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Na TV passa "Dançando na Chuva, clássico dos anos 50. Na vitrola, Whitney Houston. Dá para imaginar quantos anos tem a pessoa dona de tudo isso? Felipe Dantas, desenvolvedor de software, tem apenas 35 anos.

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Felipe mora em um estúdio no centro de São Paulo, cercado por objetos afetivos, que remontam ao período de infância. “Parece que você se teletransporta para o período em que era criança. Traz uma memória afetiva, um sentimento que aquece o coração”, diz ele.

Viver assim, rodeado de recordações, virou tendência — e tem impulsionado o consumo no país. Oito em cada dez brasileiros já compraram algum objeto motivados por memórias do passado, de acordo com Pesquisa da PiniOn .

Muitos sonhavam com esses itens na infância, mas só conseguiram adquiri-los depois de adultos. É o que mostra um levantamento feito por uma empresa de pesquisa de mercado.

“Faz ter um contato com a sua criança de antigamente e, hoje, graças ao trabalho, conseguir ter as coisas que desejou lá atrás traz uma emoção indescritível”, comenta Felipe.

Mas, segundo especialistas, é mais do que simplesmente se sentir feliz em poder comprar.

“Isso traz o resgate de uma ferida antiga. Pode ser muito útil: ‘Sabe, eu tinha uma privação, foi insuportável, e hoje eu posso ter isso’”, explica o psiquiatra e psicoterapeuta Wimmer Botura.

A pesquisa mostra ainda que quase 45% das pessoas (44,4%) sentem a nostalgia muito presente no cotidiano. Entre os principais gatilhos de recordações estão as músicas antigas (54,9%) e os programas de TV, séries e filmes clássicos (40,9%).

“Tem um significado simbólico de resgatar a história. Estamos vivendo a era da pós-modernidade, em que a música prioriza a harmonia e o ritmo, e pouco a melodia. O filme tem menos enredo e mais efeitos especiais, mais fotografia, e assim por diante. As pessoas estão ávidas por histórias, porque é a história que dá sentido à vida”, completa o especialista.

Esses elementos mostram que há coisas que não têm preço. Têm valor.

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