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Copom corta os juros básicos da economia brasileira em 0,50 pp

Decisão dividiu opiniões dos diretores do Comitê; comunicado fala em novos cortes "de mesma magnitude"

Copom corta os juros básicos da economia brasileira em 0,50 pp
Mercado financeiro
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) decidiu cortar a taxa referencial de juros da economia brasileira, a Selic, em 0,50 ponto percentual. A decisão foi tomada ao final da reunião encerrada nesta 4ª feira (2.ago). Com a decisão, o novo patamar da taxa de juros passa a ser de 13,25% ao ano. Foi a primeira redução da Selic desde o início do ciclo de aperto monetário, em março de 2021, quando a taxa estava em  2% ao ano. 

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No comunicado apresentado após a divulgação da decisão, o Copom fala em melhora do cenário inflacionário, que permitiu " acumular a confiança necessária para iniciar um ciclo gradual de flexibilização monetária", diz o Copom. Por ainda haver riscos para o combate a alta de preços, o BC evidencia que chegou a avaliar uma redução de 0,25pp, mas que considerou o corte mais amplo "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante". 

Mais adiante, o BCB aponta qual o encaminhamento da política monetária para os próximos meses: mais cortes de 0,50 pp. 

"A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação com reancoragem parcial, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária. Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário" - comunicado do Copom

Confiança

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tinha manifestado ainda pela manhã a confiança na redução dos juros pelo BC. E em nível acima da aposta da maioria do mercado.

"Hoje o mercado está pendendo mais para 0,5 do que para qualquer outro número. Lembrando que tem gente do mercado, que está lá operando fundos bilionários, apostando inclusive em um corte de 0,75 ponto. Ou seja, penso que as perspectivas são muito boas." 

Mesmo antes de ser conhecida a nova Selic, o consultor e economista André Perfeito classificava a reunião como tendo tudo para ser o clímax de tensões políticas, teóricas e onde os dados recentes conspiravam para um corte da taxa básica. 

"No curto prazo a questão está liqüidada; a somatória de uma política monetária restritiva de um lado somado a medidas fiscais e reformas do outro criaram o clima certo para iniciar o corte, corte esse que já foi antecipado há muito tempo pelo próprio mercado que cortou por conta e risco os vértices mais longos da curva de juros. Agora a questão na mesa é como ancorar mais uma vez justamente o longo prazo e a teoria dos jogos aqui não é simples, uma vez que o novo diretor, Gabriel Galipolo, terá que marcar posição sem perder a perspectiva de que ele mesmo pode se tornar presidente do BCB em alguns meses" - André Perfeito, economista

5 x 4 

Foram cinco votos a favor do corte de 0,50 pp, contra 4 votos pela redução de 0,25pp. Vale notar que o presidente do BCB, Roberto Campos Neto, e os dois novos integrantes do Comitê, Gabriel Galípolo e Aílton de Aquino, estão entre os diretores que apoiaram o voto vencedor. Campos Neto desempatou a votação.

Repercussões

André Perfeito, economista e consultor

"Apesar do placar rachado RCN e Galipolo votaram juntos pelo corte de 60; sinalizam que a taxa deve permanecer no campo contracionista para ancorar as expectativas. Isto sugere que o "tiro vai ser curto", ou seja, que o afrouxamento final da SELIC deve ser maior que o mercado espera. Fatalmente, o ciclo se encerra já no começo do ano que vem quando a SELIC deve estar em 10,75%, taxa que ainda deve ser considerada contracionista. O fato de RCN e Galipolo terem votado juntos evita problemas de conflitos internos a diretoria do BCB na condução da política monetária e alivia pressões sobre o BCB". 

Alexandre Mathias, CEO da Kilima Asset Management

"A confirmação do início do ciclo de cortes no Brasil, em linha com nosso Cenário Base, pavimenta o caminho para a continuidade do movimento de alta dos preços dos ativos brasileiros. Este configuração favorável repousa sobre duas premissas fundamentais: (1) no âmbito domésticos, a premissa é de que as metas fiscais primárias do arcabouço serão perseguidas com afinco e o governo logrará resultados primários próximos aos estabelecidos no projeto e, (2) no cenário global, a premissa é de estabilidade dos Fed Funds em 5,50% por um longo período. Ibovespa ? reafirmamos o objetivo de 130.000 pontos para o final de 2023. Os cortes tendem a favorecer Small Caps e as empresas sensíveis aos juros. Dólar ? o Real deve seguir apreciando rumo à projeção de R$ 4,60, pois ainda que os cortes não favoreçam a apreciação, os mercados já os anteciparam e continuaremos tendo um dos melhores carregamentos dos mundo".

Confederação Nacional da Indústria, CNI

"A decisão foi acertada, uma vez que não compromete o processo de combate à inflação e evita um desaquecimento maior da indústria e da economia. As expectativas de inflação têm passado por sucessivas revisões para baixo e a apreciação da taxa de câmbio, nos últimos meses, também representa mais um elemento positivo para esse cenário de controle da inflação" - Robson Andrade, pres. CNI

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