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Hoje é dia de Iemanjá: saiba fatos sobre as celebrações à Rainha do Mar

Homenageada em músicas e festas, orixá das águas teve nome bastante pesquisado no Google nesta sexta

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2 de fevereiro é dia de Iemanjá | Tânia Rêgo/Agência Brasil
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"Dia dois de fevereiro, dia de festa no mar, eu quero ser o primeiro a saudar Iemanjá". Os versos, entoados pelo baiano Dorival Caymmi em homenagem à Rainha do Mar, lembram que nesta sexta-feira (2) celebrações e oferendas à orixá das águas nas religiões de matriz africana tomam as praias de todo o Brasil.

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Iemanjá, que também pode ser escrita como Yemanjá, vem do termo iorubá "Yéyé Omó Ejá", que em português significa "mãe cujos filhos são peixes". E os nomes pelos quais ela é chamada são variados, como bem cantou outra baiana, Maria Bethânia:

"Quanto nome tem a Rainha do Mar? Quanto nome tem a Rainha do Mar? Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá", entoa a filha de Dona Canô logo no início de Yemanjá Rainha do Mar.

E é lá, na Bahia, que a maior festa em homenagem à orixá das águas acontece. Todo dia 2 de fevereiro, na Praia do Rio Vermelho, em Salvador, milhares de pessoas vestidas de branco ou azul participam da Festa de Yemanjá. A celebração, que ocorre desde 1924, foi tombada em 2020 como Patrimônio Cultural da cidade.

Festa de Yemanjá, em Salvador | Sayonara Moreno/Agência Brasil
Festa de Yemanjá, em Salvador | Sayonara Moreno/Agência Brasil

A celebração de Iemanjá marca a resistência de uma fé que ainda é alvo de ataques. Em 2023, o Brasil registrou 2.124 denúncias de intolerância religiosa pelo Disque 100, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

Sincretismo religioso

Por causa do sincretismo religioso, associação entre a cultura religiosa africana e os ritos católicos realizados no país, Iemanjá também é celebrada como Nossa Senhora dos Navegantes. No período da escravidão, as pessoas de origem africana aproveitavam os feriados católicos para fazer reverência à entidade, já que os cultos africanos eram proibidos.

Uma das maiores procissões do país acontece em Porto Alegre, onde o dia é feriado. A procissão reúne, anualmente, milhares de fiéis – por terra e por água – pelo Rio Guaíba, do centro da cidade até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes.

Buscas pela orixá

As pesquisas sobre a Rainha do Mar tiveram um aumento repentino na manhã desta sexta-feira (2), em comparação aos últimos 7 dias, segundo dados do Google Trends.

Buscas por Iemanjá tiveram aumento repentino, segundo Google Trends
Buscas por Iemanjá tiveram aumento repentino, segundo Google Trends

Os estados em que o termo "Iemanjá" foi mais buscado são Bahia e Rio Grande do Sul, locais com os maiores festejos em homenagem à orixá e sua "versão" católica, Nossa Senhora dos Navegantes.

Bahia e Rio Grande do Sul lideram buscas por termo, diz Google Trends
Bahia e Rio Grande do Sul lideram buscas por termo, diz Google Trends

Oferendas para Iemanjá

A tradição diz que as oferendas a Iemanjá começaram a ser feitas pelos pescadores, quando um grupo ofereceu presentes à Rainha do Mar após um período de escassez de peixes. Antes disso, os terreiros antigos a presenteavam nos rios.

"Os pescadores e jangadeiros entenderam que Iemanjá atendeu aos pedidos deles e passaram a fazer a procissão no mar. Eles começaram a presentear Iemanjá nas águas salgadas. Mas, alguns terreiros antigos costumavam agradar a Iemanjá no rio. Depois, ela se tornou a ‘Rainha do Mar’. Mas, ‘Rainha do Mar’, dentro da religião de matriz africana, se chama ‘Olocum’, a ‘Senhora dos Mares'”, contou o babalorixá Indarê Sá dos Santos à AratuOn, afiliada do SBT na Bahia.

A partir daí, os pedidos foram atendidos e, desde então, todos os anos os pescadores levam as oferendas em agradecimento e pedidos por fartura e pelo mar tranquilo durante as atividades.

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