Marido foi impedido de se aproximar do corpo da esposa morta por PM em SP
Mulher de 31 anos morreu após ser atingida durante abordagem na Zona Leste; homem afirma que ela agonizou por 40 minutos antes de ser socorrida

Fabio Diamante
Foi enterrado o corpo de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, baleada e morta durante uma abordagem policial na Zona Leste de São Paulo. Na porta de casa, depois do enterro, o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, afirmou que a esposa agonizou por 40 minutos antes de ser socorrida e disse que quer justiça.
Segundo testemunhas, duas viaturas da Polícia Militar perseguiam dois homens em uma moto perto de um baile funk em Cidade Tiradentes. O casal voltava para casa por uma rua estreita quando uma das viaturas bateu o retrovisor no braço de Luciano. Thawanna reclamou, os policiais pararam e, ainda de acordo com os relatos, houve discussão, troca de ofensas e tapas; a soldado Yasmin Cursino Ferreira, com três meses de experiência nas ruas, sacou a arma e atirou.
Baleada e caída no meio da rua por 40 minutos
A partir daí, moradores gravaram a demora no socorro. Baleada na barriga, Thawanna ficou caída no meio da rua por cerca de 40 minutos. Luciano disse que pedia para chegar perto da esposa, mas que os policiais não permitiram e o mantiveram afastado enquanto ele pedia ajuda.
Thawanna foi levada ao hospital, passou por cirurgia, mas não resistiu. Luciano afirmou que só soube da morte depois de prestar depoimento na delegacia. O caso, segundo o relato, foi registrado como resistência à prisão contra Thawanna e a morte foi citada como “comunicação de óbito”; a policial que atirou foi liberada.
Horas depois, na noite de sexta-feira (03), moradores da região fizeram um protesto, fecharam ruas e incendiaram pneus. A tropa de Choque foi chamada para encerrar a manifestação, e o comando da PM informou que os policiais envolvidos foram afastados do trabalho nas ruas até a conclusão das investigações.









