Brasil

Possível chegada do El Niño pode intensificar calor e seca no Sudeste nos próximos meses

Meteorologistas monitoram formação do fenômeno entre junho e agosto; cenário pode reduzir chuvas, ampliar ondas de calor e elevar risco de queimadas na região

O calor fora de época já chama a atenção em diferentes regiões do país e pode ser apenas um sinal do que vem pela frente. Meteorologistas monitoram a possível formação de um novo El Niño entre junho e agosto, fenômeno que pode acentuar as temperaturas no Sudeste.

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Neste sábado (4) de céu aberto e praias cheias no Rio de Janeiro, moradores e turistas relataram surpresa com o clima de cara de verão em pleno outono. “A gente chegou e foi surpreendida com esses dias de sol, calor, tá muito gostoso, tá muito alegre. Ah, eu tô adorando”, disse a empresária Vanessa Silva.

A corretora Christiane Monteiro também comentou a sensação de calor fora de época. “Parece que tá um verãozaço, com muita gente na praia, muita alegria, muita movimentação e muito sol”, afirmou.

Rio de Janeiro teve dia de verão em pleno outono | SBT Rio
Rio de Janeiro teve dia de verão em pleno outono | SBT Rio

Segundo especialistas, o El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico, o que altera padrões climáticos no Brasil. Na prática, o fenômeno tende a provocar mais chuva no Sul e períodos de tempo mais seco no Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste o cenário costuma ser de menos chuva e mais ondas de calor.

A meteorologista Michelle Lima alerta que, se o fenômeno se confirmar, as temperaturas podem ficar muito acima da média para a época. “O regime de chuva continua sendo muito baixo, o que acaba ampliando a possibilidade da ocorrência de veranicos mais extensos, o que pode agravar as condições de incêndios florestais e fogo em vegetação”, explicou.

Mesmo sem definição sobre a intensidade do próximo El Niño, especialistas defendem monitoramento constante da evolução do quadro. “Os episódios de El Niño são diferentes uns dos outros e interagem com vários outros sistemas da nossa atmosfera, então não quer dizer que os efeitos vão ser exatamente iguais ao que a gente já observou no passado”, disse o meteorologista Wanderson Luiz.

Enquanto isso, a população já sente o desconforto: “O clima está muito doido, a gente não sabe mais o que é verão, o que é inverno”, resumiu o funcionário público Renato Melo.

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