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Saúde

Vida universitária para autistas: quais são os desafios e como enfrentá-los?

Embora acesso ao ensino superior tenha se ampliado, presença de autistas na universidade ainda apresenta obstáculos consideráveis; entenda

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Autistas na universidade enfrentam desafios; entenda | Freepik
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A vida universitária para autistas é um desafio que muitas vezes passa despercebido. O ambiente acadêmico exige habilidades sociais, organização, comunicação e adaptação a novos contextos — características que podem ser complexas para pessoas no espectro autista. No entanto, com as adaptações corretas e o suporte adequado, a inclusão no ensino superior pode se tornar uma realidade acessível e enriquecedora.

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Desafios enfrentados na vida universitária por autistas

Embora o acesso ao ensino superior tenha se ampliado, a vida universitária para autistas ainda apresenta obstáculos consideráveis. Entre os principais desafios, destacam-se:

  • Dificuldades na comunicação e interação social: salas de aula, grupos de estudo e atividades extracurriculares exigem habilidades sociais que podem ser desafiadoras para pessoas autistas;
  • Sensibilidade sensorial: ambientes barulhentos, iluminação forte e espaços superlotados podem gerar desconforto intenso e dificultar o aprendizado;
  • Organização e planejamento: a carga de estudos, os prazos e a necessidade de gestão do tempo são desafios frequentes para autistas que possuem dificuldades na função executiva;
  • Falta de compreensão por parte de professores e colegas: a desinformação sobre o espectro autista muitas vezes resulta em julgamentos equivocados e exclusão.

A vida universitária para autistas é frequentemente marcada pela sensação de inadequação e sobrecarga. No entanto, é possível criar ambientes mais inclusivos que proporcionem uma experiência acadêmica positiva e produtiva.

Como promover a inclusão no ensino superior

Para tornar a vida universitária para autistas mais acessíveis, é fundamental que as instituições de ensino desenvolvam práticas inclusivas e políticas de acessibilidade. Algumas ações essenciais incluem:

  • Adaptações acadêmicas personalizadas: oferecer recursos como tempo adicional para provas, materiais adaptados e ambientes mais tranquilos para a realização de atividades acadêmicas;
  • Treinamento e conscientização dos professores: é essencial que os educadores compreendam as particularidades do autismo e sejam capacitados para aplicar abordagens pedagógicas inclusivas;
  • Ambientes sensorialmente adequados: permitir o uso de fones de ouvido, áreas silenciosas para estudo e alternativas de participação em atividades presenciais quando necessário;
  • Mentoria especializada: programas de apoio que proporcionem acompanhamento contínuo durante o período universitário, auxiliando na adaptação e na superação de desafios;
  • Promover redes de apoio e grupos de convivência: o contato com outros estudantes autistas e neurodivergentes é um importante recurso para fortalecer a inclusão e o bem-estar.

A vida universitária para autistas ainda enfrenta obstáculos significativos, especialmente em acessibilidade, interação social e adaptação curricular. Embora haja progressos recentes, muitos estudantes autistas continuam lutando por inclusão efetiva.

Um estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) revelou que alunos autistas lidam não apenas com desafios acadêmicos, mas também com barulho excessivo, dinâmicas sociais complexas e falta de preparo de docentes. A sobrecarga sensorial e a ansiedade são frequentemente citadas como barreiras ao desempenho.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP, 2022), a legislação brasileira garante educação inclusiva, mas muitas instituições não oferecem adaptações adequadas. A falta de capacitação docente e de suporte personalizado ainda é um problema recorrente.

Experiências bem-sucedidas, como programas de mentoria especializada e grupos de apoio neurodivergentes, mostram que adaptações específicas podem transformar a trajetória universitária de autistas. No entanto, o caminho para a inclusão plena ainda exige mais ações concretas das instituições de ensino.

*Silvia Neri Marinho é terapeuta Ocupacional e especialista em análise do comportamento aplicada credenciada e co-fundadora da Clínica Formare CREFITO 3 14036-TO

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