Diretor da Prevent Senior nega ocultação de mortes por covid-19
Pedro Benedito Batista diz que ex-funcionários fraudaram dados para prejudicar a empresa

SBT News
O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, alegou, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta 4ª feira (22.set), que o plano de saúde não ocultou mortes de pacientes contaminados com a covid-19 que foram usados para testes de hidroxicloroquina contra o coronavírus. À CPI, Pedro afirmou que "o único interesse da Prevent Senior é salvar vidas".
Além disso, o diretor da companhia afirmou que dois ex-funcionários "manipularam dados de uma planilha interna" para "tentar comprometer a operadora". Segundo ele, nenhum médico foi "incitado" a receitar hidroxicloroquina e cada um teve autonomia junto ao paciente.
"Esses profissionais, já desligados, passaram a acessar e a editar o referido arquivo culminando no compartilhamento da planilha com a advogada Bruna Morato em 28 de agosto", afirmou aos senadores.
A Comissão Parlamentar de Inquérito recebeu uma série de documentos com denúncias de irregularidades, elaborados por médicos e ex-médicos da Prevent Senior. O dossiê informa que a utilização da cloroquina e outras medicações ineficazes contra o coronavírus foi resultado de um acordo entre o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a Prevent.
O diretor-executivo afirmou à CPI que não tem relação com o "gabinete paralelo", grupo que assessorou Bolsonaro na pandemia e que defende a divulgação e o uso de remédios que não funcionam contra a covid.
Durante a sessão desta 4ª feira (22.set), os senadores mostraram o apoio, postado nas redes sociais, do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e do próprio presidente Jair Bolsonaro aos experimentos.
O diretor-executivo da Prevent Senior disse que mudaram fichas para tirar a descrição de contaminação de covid-19 dos pacientes após 14 (pacientes de enfermaria/apartamento) ou 21 dias, (pacientes internados na UTI). Sedugundo Pedro Batista, a CID -- classificação internacional de doença -- deveria ser modificada para qualquer outra doença para identificar pacientes que não precisavam mais de isolamento.
Assim que realizou este pronunciamento, os senadores repreenderam o diretor da Prevent Senior. "O senhor [Batista Júnior] não tem condições de ser médico, modificar o código de uma doença é crime", disse o senador Otto Alencar (PSD-BA). "Essas pessoas morreram em consequência da covid-19. Isso é uma fraude", ressaltou o senador Humberto Costa (PT-PE).
Veja reportagem do SBT Brasil: