Lula faz aceno ao Centrão com indicado à CVM para facilitar aprovação de Messias ao STF
Otto Lobo tem apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre; Haddad defendia outro nome


Eduardo Gayer
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um aceno ao Centrão ao indicar Otto Lobo à presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nos bastidores do governo, a escolha do advogado foi vista como uma forma de melhorar o clima com o Congresso e facilitar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Advogado especialista em direito financeiro e arbitragem, Lobo tinha o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, defendia outros nomes para o colegiado, como o da diretora Marina Copola, mas não foi atendido por Lula.
Integrantes do governo dizem que o nome também teve apoio do empresário Joesley Batista.
A indicação à CVM com apoio do Centrão e à revelia da equipe econômica repercutiu negativamente no mercado financeiro, que fez chegar seu descontentamento ao governo e a técnicos do Banco Central.
Procurados, Nogueira, Alcolumbre, Haddad, e Batista, por meio de suas respectivas assessorias, não retornaram aos contatos.
Pela proximidade de Lobo com expoentes do Congresso, a sua aprovação para presidente da CVM pelo Senado é vista como "favas contadas". Ele chegou ao colegiado como diretor em 2022, ainda no governo Bolsonaro, e estava como presidente interino desde julho de 2025, quando João Pedro Nascimento renunciou ao posto.









