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"Lugar menos seguro para se estar é dentro de um submarino", diz engenheiro

Especialistas ouvidos pelo SBT News levantam hipóteses para o que pode ter provocado implosão do Titan

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Por Fernando Jordão
Imagem interna do submarino Titan, da OceanGate, em frente ao Titanic

Imagem interna do submarino Titan, da OceanGate, em frente ao Titanic

Muito pouco se sabe ainda sobre a "implosão catastrófica" do submarino Titan, da empresa OceanGate, que vitimou 5 pessoas. O veículo foi usado em uma expedição para avistamento do Titanic -- cujos destroços repousam a 3.800 metros de profundidade --, mas perdeu o contato com a superfície e, após 4 dias desaparecido, teve apenas pedaços localizados pela Guarda Costeira dos Estados Unidos.

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Especialistas ouvidos pelo programa Poder Expresso, do SBT News, levantaram hipóteses para o que pode ter provocado a implosão. Thiago Pontin Tancredi, professor do curso de Engenharia Naval da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e supervisor do laboratório de simulação naval da instituição, apontou que o submarino, certamente, sofreu um dano na estrutura, que pode ter sido causado de duas formas: por uma colisão ou pelo desgaste provocado por subidas e descidas constantes.

"Pode ser um dano que aconteceu durante a descida, ou seja, essa embarcação colidiu com uma vida marinha, com o fundo do oceano, com os próprios destroços do Titanic... E essa colisão, mesmo que sutil, pode ter levado a um pequeno amassado, a uma pequena perda de circularidade do casco, levando, então, ao colapso instantâneo da embarcação. É só a gente imaginar uma latinha de cerveja vazia: se a gente começa a amassar um pouquinho, fica muito mais fácil amassar o restante", disse. "E a outra possibilidade é que esse dano aconteceu devido a mergulhos sucessivos. Então, todas as vezes que o submarino subia e descia ele acumulava danos e esses danos são microscópicos, são muito difíceis de você medir, mas são suficientes para fragilizar a estrutura."

O professor e engenheiro acrescentou que, dada a enorme pressão do fundo do mar, submarinos, em geral, são ambientes muito inseguros: "Eu costumo dizer aos meus alunos que o pior lugar, o lugar menos seguro para se estar é dentro de um submarino. Não existe nada mais perigoso. Ir ao espaço é mais seguro do que descer a essa profundidade".

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Ainda em relação à pressão encontrada a tamanha profundidade, o físico Olavo Leopoldino, professor da Universidade de Brasília (UnB), explicou que, em situações como essa, um ser humano "começa a não conseguir respirar corretamente, porque a musculatura corporal já não consegue equilibrar a pressão que está sendo feita e ele então começa a obter muito menos oxigênio do que seria capaz de obter em situações normais. Então ele começa a tender a desfalecer". 

Porém, ele ressalta que, caso tenha havido mesmo a implosão, os passageiros do submarino não experimentaram qualquer tipo de sofrimento. "Se foi esse o caso mesmo, quando houve a implosão, acabou. Não dá tempo de nada. Não dá tempo nem de sentir o fenômeno acontecendo. Eles sequer viram o que aconteceu. Foram esmagados de uma maneira brutal, catastrófica."

Confira a íntegra das entrevistas:

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