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Agronegócio tem "problema ideológico" com o governo, diz Lula

Fala pode ter impacto na bancada ruralista do Congresso e impor novas derrotas

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Wagner Lauria Jr.
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Em entrevista concedida para emissoras de rádio de Goiás nesta 5ª feira (15.jun), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a alfinetar empresários do agronegócio. Ele reafirmou que parte do setor tem "problemas ideológicos" com seu governo. "O problema deles conosco é ideológico, não é problema de dinheiro a mais no Plano Safra," afirmou o presidente.

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Ao ser questionado pelos jornalistas sobre sua relação com o agro, Lula disse não estar preocupado com o que "fulano ou ciclano pensa de mim". "Estou preocupado que se as pessoas forem honestas comigo tem que dizer em alto e bom som: nunca antes na história desse país a agricultura foi tão bem tratada como no governo Lula", afirmou.

Ainda em referência ao setor, o presidente reiterou que a "quantidade de veneno usado nos produtos agrícolas brasileiros" pode comprometer a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. "Então é importante a gente levar em conta que ser racional, cuidar da agricultura de boa qualidade, é uma necessidade competitiva do Brasil para a China e para a França, para os Estados Unidos e para a Alemanha".

Sobre a fiscalização do desmatamento, Lula disse que vai abrir novos concursos do IBAMA, já que, segundo presidente, o órgão foi esvaziado após o encerramento do seu mandato anterior. "Deixei com 1700 funcionários, hoje tem só 700", exemplificou.

Em sua fala, o presidente ainda voltou a dizer que a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o PIB brasileiro estava errada e afirmou que o país vai crescer mais de 2% ou 2,5% em 2023.

Questionado sobre o movimento sindical, Lula pretende "voltar a fazer o sindicato ficar forte". "É preciso parar com essa pequenês de que o sindicato tem que ser fraco. Quanto mais forte [o sindicato], mais democracia existe no país", disse Lula.

O presidente viaja nesta 6ª feira (16.jun) ao estado goiano, onde irá participar da inauguração de um trecho da ferrovia Norte-Sul, em Rio Verde (GO), em que ele afirma ter feito, junto com o governo Dilma "90% da ferrovia Norte-Sul. Se dependesse dos nossos governos, ela já teria sido inaugurada há muito tempo", disse. Além disso, o mandatário vai inaugurar um anel viário em Jataí, também em Goiás.

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