"A inflação é mundial. Brasil sabe lidar com ela", diz ex-diretor do BC
Juros ainda vão subir para controlar inflação; crescimento pode chegar a 2%, diz Luiz Fernando Figueiredo

Consumidores fazem compras no supermercado
Em entrevista exclusiva ao SBT News, o ex-diretor do Banco Central e CEO da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo, faz um balanço da situação econômica e financeira do Brasil e do mundo. "Antes de tudo, é preciso ter uma visão de como o mundo está, para onde está olhando. E, a partir daí, ver como o Brasil se insere no contexto internacional, qual o impacto que este cenário vai causar ao nosso país", diz ele.
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Já de início, uma constatação. Do ponto de vista sistêmico, na opinião de Luiz Fernando, a pandemia passou. É como dizer que a covid-19 já não causa estragos em rede, entre a maioria dos países. Essa constatação, até do ponto de vista do retorno às atividades de forma mais abrangente, é positiva. Mas o rastro de consequências que ela deixou para a vida econômica dos países e de suas sociedades ainda não foi apagado. Pra completar, avalia Luiz Fernando, a economia parada também levou a um represamento das compras por parte dos consumidores. Essas compras estão voltando agora, com força. Menos oferta -- de matérias-primas, bens e serviços -- e mais procura, dá na inflação planetária que a gente está vendo.
Só que neste aspecto o Brasil leva uma certa vantagem, diz Figueiredo. "A diferença é que nós brasileiros sabemos lidar com a inflação. O mundo não sabe. Há quarenta anos os EUA não têm uma inflação de 7,5%, como está projetada para este ano. O nosso BC já está com a taxa lá em cima, os demais estão começando. Para os outros países, a consequência é que a inflação vai ficar alta muito mais tempo.
Confira outros temas abordados pelo ex-diretor do Banco Central:
Guerra Rússia x Ucrânia
Do ponto de vista humanitário é interessante ver que a guerra da Rússia com a Ucrânia o mundo ocidental está tratando como problema mundial. Então o mundo gerou um volume de sanções contra a Rússia que não tem precedentes. O mundo está tratando como uma coisa inaceitável.
Juros no Brasil
O Banco Central deve elevar a Selic até 13,75% na próxima reunião. Fora isso, talvez, outros 0,25 depois. E aí ficar mais tempo parado se o choque inflacionário lá fora acalmar um pouco ajuda. E o segundo efeito é que o candidato a presidente pelo menos indique com clareza que será responsável do ponto de vista fiscal. Se as duas acontecerem, o BC pode antecipar a queda da taxa de juros.
Pibinho
O resultado do PIB o mercado até esperava um pouquinho mais, mas, anualizando, está 4% ao ano. Não dá para dizer que o número é ruim.
Crescimento
O segundo trimestre ainda deve ser razoável, mas o segundo semestre deve ser mais complicado porque o juro está muito alto. A gente não escapa de ter uma atividade mais fraca pra ver a inflação cair. Mesmo assim estamos falando de crescimento de 1,5% a 2% este ano, quando há quatro cinco meses se falava em PIB negativo.
Assista ao vídeo com a entrevista completa:














