9 em cada 10 brasileiros sentiram a alta dos preços nos últimos meses
Pesquisa mostra que percepção de inflação subiu 22 pontos em abril na comparação com novembro de 2021

Gasto com energia elétrica foi apontado como que mais subiu nos últimos seis meses | Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Nos últimos seis meses, 95% da população percebeu a alta da inflação. É o que aponta a pesquisa Comportamento e economia no pós-pandemia, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Instituto FSB Pesquisa.
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Foram entrevistadas 2.015 pessoas, entre 1º e 5 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A diferença é de 22 pontos percentuais acima do registrado em novembro de 2021, quando 73% afirmaram ter percebido aumento de preços.
"A guerra travada na Ucrânia trouxe mais incertezas para a economia global, o que impulsiona a inflação e desperta o temor de retrocesso da economia em todo o mundo. Diante dessa conjuntura tão difícil quanto indesejada, o Brasil precisa adotar as medidas corretas para incentivar o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda da população. A principal delas é a reforma tributária. Não temos como fugir disso", afirmou o presidente da CNI, Robson Andrade.
Para 87% dos entrevistados, os preços aumentaram muito nos últimos seis meses. Para 8%, a inflação subiu um pouco. E para apenas 1%, os preços diminuíram um pouco. As regiões que registraram maior percepção do aumento dos preços foram Norte/Centro-Oeste (86%), seguida do Nordeste (93%), Sudeste (87%) e Sul (76%). Ainda entre as mais afetadas estão pessoas sem escolaridade (90%) ou apenas com ensino fundamental (86%).
Entre os entrevistados, as contas que mais subiram foram as de energia elétrica, gasto com gás de cozinha, arroz e feijão, conta de água, combustíveis, além de frutas, verduras, legumes e carne vermelha.
Outro dado revelado pela pesquisa é que 66% dos ouvidos acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses. Na pesquisa anterior, de novembro de 2021, esse percentual era de 54%. Nesse item, há uma grande diferença entre regiões e renda: 71% de quem tem renda entre um e dois salários mínimos acreditam que os preços vão aumentar. Esse percentual é de 55% na população com renda acima de cinco salários mínimos. No Sudeste, essa percepção alcança 67% dos moradores. No Sul, são 59%.
Redução de gastos
Nos últimos seis meses, os brasileiros começaram a reduzir gastos com comida, combustíveis e bens duráveis. De acordo com a pesquisa, 64% da população afirmou ter reduzido gastos nos últimos seis meses. Esse percentual é alto, principalmente quando se considera que, em novembro, 74% já tinham diminuído suas despesas. Entre os que reduziram os gastos, 49% afirmaram terem feito cortes grandes ou muito grandes.
Enquanto o orçamento foi ocupado com gastos crescentes e inevitáveis ? como conta de luz, gás de cozinha, cesta básica e remédios ?, 34% dizem ter deixado de comprar material de construção; 29% cancelaram TV por assinatura; 12% cortaram a conta de celular; 24% deixaram de fazer refeições fora de casa; 23% deixaram de comprar eletrodomésticos; 15% deixaram de consumir combustível e 16% reduziram esse gasto; 15% deixaram de comprar roupas e sapatos e 14% afirmam não usar mais transporte público.
Além disso, 31% reduziram o consumo de carne vermelha, 27% o de roupas de calçados, 25% de refeições fora de casa e 19% de conta de celular e 19% reduziram frutas e verduras na alimentação.














