Novatos no Congresso têm dificuldade de reeleição
RenovaBR só reelegeu dois dos nove deputados federais que fez em 2018

Novatos no Congresso têm dificuldade de reeleição
Congressistas que se elegeram pela primeira vez têm dificuldade para renovarem seus mandatos no Legislativo. Essa é a avaliação de José Henrique Nascimento, diretor de Educação do RenovaBr. Para ele, é muito difícil um novato sobreviver à "grande selva" do Congresso Nacional e isso reforça a necessidade de treinar e capacitar os políticos.
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"Eu brinco que o Congresso Nacional é uma grande selva, tendo em vista a quantidade, 513 deputados e mais 81 senadores, cada um de um estado, com uma diversidade imensa de opiniões e partidos. Chegar lá pela primeira vez sem nenhum apoio, sem nenhum suporte, sem saber como se dá o funcionamento Legislativo, normalmente se culmina em não reeleições", explica.
"Então sabendo que é um lugar complexo, dificultoso, e que tem várias questões internas, esses marinheiros e marinheiras de primeira viagem não sabem como navegar. Normalmente são quatro anos que passam muito rápido e enterram esse propósito de renovação", diz Nascimento.
O RenovaBR é um movimento de formação de políticos que existe há cinco anos e, neste período, teve mais de 300 candidatos em todo o país. Em 2018, pelo movimento, foram eleitos 17 parlamentares, entre deputados estaduais e federais. Dos 9 deputados federais eleitos, apenas dois se reelegeram: Tabata Amaral (PSB-SP) e Luiz Lima (PL-RJ).
"Foi um resultado que nos abriu os olhos de maneira bem prática para a política como ela é. Quando a gente fala que o Brasil não é para amadores, isso vale principalmente para a política. Mas ao mesmo tempo o trabalho de selecionar e treinar pessoas continua de forma muito positiva", afirma o diretor.
Nascimento diz que um dos trabalhos que os novos congressistas podem fazer é "jogar com as regras do jogo", prezando pela ética e transparência. "Por exemplo, o trabalho de reutilização dos votos. Boa parte dos nossos parlamentares que se elegeram em 2018 não conseguiram transferir de forma direta os seus votos para pessoas que pudessem apoiá-los depois, em quatro anos, principalmente nas eleições de vereadores", explica.
Para ele, a manutenção do eleitorado é fundamental para permanecer na política. "Uma forma prática de garantir essa transferência é, além de você ter um trabalho básico de redes sociais, sempre validando e revalidando as pessoas ao seu redor de sua confiança, de políticos de sua confiança, existem também as emendas parlamentares", diz Nascimento.
"A própria lógica do orçamento secreto e esse volume absurdo que foi despejado, principalmente nas prefeituras ao longo desses quatro anos, culmina no aprendizado de que o processo de emenda é uma iniciativa que ainda não é vista como positiva pelo brasileiro em termos eleitorais", afirma.
Assista à entrevista na íntegra:
RenovaBR e Insper reúnem políticos e líderes empresariais
O RenovaBR e o Insper vão promover um debate com empresários e lideranças políticas para analisar os desafios dos parlamentares eleitos nos próximos quatro anos. O seminário "Um Debate Necessário para o Brasil -- Os próximos Quatro Anos do Congresso Nacional" será no próximo dia 8 de dezembro. Na lista dos palestrantes, estão os empresários Abílio Diniz e André Esteves, e os governadores eleitos, Eduardo Leite (PSDB-RS) e Raquel Lyra (PSDB-PE). O seminário será organizado em três painéis, para avaliar o papel da sociedade civil, os desafios da nova legislatura e as perspectivas de diálogo entre estados e União. Desigualdade no Brasil, reforma tributária, comunicação e política, agronegócio e plano de mandato são alguns dos temas em pauta.














