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Governo muda postura e agora tem pressa para garantir comando da CPI mista

Parlamentares do governo e oposição estreiam quadro Debate Expresso; em pauta os rumos da comissão

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Diante da certeza de que a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas de 8 de janeiro seria inevitável, depois de investidas frustradas para frear a comissão, o governo tem pressa. Articula os aliados para escolher os integrantes e também garantir o controle da CPI mista. A base governista quer a leitura do requerimento de instalação na próxima 4ª feira (26.04) e o funcionamento da comissão já a partir da primeira semana de maio.

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Os rumos da comissão foram discutidos no novo quadro do programa Poder Expresso, desta 5ª feira (20.abr). Na estreia do Debate Expresso, Roseann Kennedy conversou com o vice-líder do governo no Congresso, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o líder da oposição na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ).

Disputa pelo comando da CPI mista

Governo e oposição divergem sobre o direito ao comando da comissão e os futuros integrantes. Lindbergh diz que o governo "não aceitará" que o autor do pedido de CPI, o deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE), que é investigado por suposta participação nos atos golpistas, seja o relator ou o presidente. Jordy bateu e pé e declarou que não abre mão da presença do correligionário na comissão.

O petista disse que o parlamentar cearense, do PL, estava nos atos de 8 de janeiro. "Sabe que ele colocou no dia dessa invasão, imagens do armário do ministro Alexandre de Moraes quebrado, fazendo deboche. Se rir, vai preso. Então, para as narrativas de redes sociais, pra turma de vocês, vocês conseguem convencer. Para o Brasil? Vai ficar claro que foram vocês. Vão atrás de todo mundo, dos financiadores. Nós vamos olhar cada um desses que estão presos", sustentou o líder do governo.

Jordy, que é coautor do pedido de abertura da CPI mista,  sustentou que como autores, ele e o André Fernandes, têm direito a escolha de um nome que seja consenso na legenda para o comando da CPMI. "Tem que ser nosso [da oposição], para que não aconteça como aconteceu com a CPI da Fake News, com a CPI da Covid, em que é um presidente e um relator do lado da esquerda, e acaba sendo uma CPI totalmente parcial que acaba em pizza", justificou o deputado Jordy. 

O regimento interno diz que a maioria escolhe o presidente e o relator, mas se depender da oposição, o governo terá uma longa batalha nos próximos dias. 

Tiro no pé

Na base governista, a ordem é ir com tudo pra cima da oposição. Certo de que o governo tem direito na escolha do comando e vai eleger presidente e escolher o relator, o vice-líder do governo no Congresso, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a criação da CPMI será "um tiro no pé" dos bolsonaristas. 

"Eu acho, com todo o respeito, que a base Bolsonaro está dando um tiro no pé, porque todo mundo sabe. Se foram eles que organizaram aquela tentativa de golpe no dia 8 de janeiro, são eles. Isso vai ficar claro. Nós vamos atrás dos financiadores", disse o petista.

"Eu acho que a gente vai ter oportunidade, por exemplo, de chamar o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. Eu estou convencido que Torres é o elo com o Jair Bolsonaro. Na minha avaliação, a gente pode conseguir achar o autor intelectual desse crime, o crime contra o Estado Democrático de direito", afirmou Lindbergh. "Se tiver omissão, a gente quer ir atrás também. Quem se omitiu, né?", garantiu Lindbergh Farias. 

Líder da oposição na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) destacou que o vídeo de Gonçalves Dias no Planalto no 8 de janeiro, foi uma das motivações para o governo atuar contra a CPMI nos bastidores. Sobre o recuo do governo, Jordy rebateu Lindbergh e foi categórico:

"Isso é conversa fiada. Na verdade, eles estão agora favoráveis a essa CPMI porque a casa caiu. Aliás, o Planalto caiu. O vazamento dessas dessas imagens [de Gonçalves Dias], eu ia falar que foram reveladores, não, elas foram confirmadoras. Confirmou tudo aquilo que a gente já vem falando, que o governo federal teve participação. Nós tínhamos todos os indícios de uma omissão dolosa", destacou Jordy.

Debate Expresso novo quadro do programa Poder Expresso do SBT News | Reprodução/SBT

Assista à íntegra da entrevista:

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