O que será da Educação no próximo governo?
Entre as prioridades estão o ajuste no orçamento e investimento no ensino básico

sala_de_aula | Recuperar o orçamento e investir no ensino básico são prioridades do governo Lula a partir de 2022 | Wilson Dias/Agência Brasil
Educação à prova. O ensino público no Brasil está diante de vários pontos de interrogação. O principal deles é a falta de dinheiro. Só este ano, o ministério da Educação fez três cortes no orçamento, que somam mais de quatro bilhões de reais.
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Os recursos foram tirados das universidades e institutos federais, além do programa de bolsas do ensino superior. A explicação: não estourar o teto de gastos, o limite de despesas da União previsto em lei.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro é a mais antiga do Brasil. O principal campus é a cidade universitária, na zona norte da capital fluminense, mas há outros dois pólos de ensino, além de museus, laboratórios, hospitais e centros de pesquisa de referência internacional. O ambiente acadêmico é compartilhado por quase setenta mil alunos.
Tanta relevância não impediu que a instituição perdesse vinte e três milhões de reais. Isso, em um orçamento já reduzido em trinta por cento nos últimos três anos. Resultado: as contas de água e luz ficaram atrasadas. Segundo a reitora, Denise Pires, a UFRJ pode sofrer prejuízos ainda maiores: "O restaurante universitário pode parar, o transporte entre os campi da universidade pode parar e a limpeza pode parar. Isso torna a universidade menos eficiente porque forma menos profissionais, tão necessários para a sociedade. Então, é realmente um ciclo vicioso, catastrófico, de recursos que são retirados e acabam fazendo com que a gente gaste mais recursos porque vamos ter que pagar os juros das contas de água e luz, por exemplo", diz ela.
Os transtornos atingem diretamente os estudantes. Fabíola Santos está no último período de pedagogia, na Universidade Federal Fluminense, a UFF. Ela teve problemas para receber em dia os quatrocentos reais de um programa de iniciação científica. Tem sido difícil pagar as contas de casa e ainda se manter na faculdade.
"A minha mãe é a única pessoa da minha família que tem uma renda fixa. Desde o início da universidade eu me mantenho através de bolsas estudantis, porque somente com um salário mínimo não tenho como arcar com as despesas da casa e as despesas da universidade. Através das bolsas eu consigo pagar a passagem de ônibus, pagar o bandejão, pagar outras despesas que eu tenho com a universidade", lamenta a estudante.
Cláudia Costin é especialista em educação, com experiência em gestão pública. Diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, ela fez parte da equipe de transição no ministério da Educação do governo Lula. A equipe fez um balanço sobre os desafios que deverão ser enfrentados: "Basicamente a gente fez um diagnóstico de como está a educação, a estrutura do Ministério da Educação, os recursos orçamentários, que nós acompanhamos nesse final de ano. Bloqueou, desbloqueou, rebloqueou e isso prejudicou o pagamento de bolsistas, retardou o pagamento de funcionários terceirizados".
A equipe de transição identificou, ainda, a redução de recursos destinados à merenda escolar e ao programa nacional do livro didático -- medida que prejudica também as escolas municipais e estaduais. Além da questão orçamentária, um dos pontos prioritários para o novo governo será diminuir os prejuízos no aprendizado provocados pela pandemia.
"Esse quadro mais estrutural foi agravado durante a pandemia e com uma falta de resposta coordenada em nível nacional à crise educacional que adveio da crise sanitária. Para além dessa questão emergencial de recursos do ensino superior e dos problemas mais urgentes da educação básica, está se propondo na equipe de transição, em primeiro lugar, uma atenção muito forte à primeira infância porque é nessa etapa que se consegue nivelar as diferenças de origem sócio econômica no desempenho escolar futuro", afirma Cláudia Costin.
Decerto, será um ano desafiador para a educação no Brasil.














