"Não dá para levar fanatismo para a política", diz Janones
Pré-candidato falou sobre discussão ideológica, eleições e alta dos combustíveis no programa Perspectivas

André Janones e Débora Bergamasco | Reprodução/SBT News
O pré-candidato à Presidência da República André Janones (Avante) afirmou, nesta 3ª feira (17.mai), que vai trabalhar com duas principais pautas se eleito para ocupar o cargo no Palácio do Planalto: a superação do debate ideológico e a redução das desigualdades sociais.
"É preciso superar o debate ideológico. As pessoas estão votando por falta de opção. [...] Só no futebol pode ter a lógica do fanatismo, na política, não", destacou o deputado federal em entrevista à Débora Bergamasco na estreia do programa Perspectivas.
O deputado criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na pré-campanha presidencial. "Bolsonaro lança a isca do debate ideológico, entra nesse debate, isso ele sabe fazer como ninguém. O candidato do PT morde essa isca, as vezes tenta sair, [...] mas hoje não consegue mais voltar", afirmou.
O pré-candidato afirmou que a superação desse debate ideológico é necessária para que "problemas reais" -- como inflação, alta dos combustíveis -- sejam discutidos.
"Essas discussões ideológicas podem e devem existir, mas devem ser coadjuvantes. Primeiro vamos discutir a redução do preço do combustível, valorização do salário mínimo, aumento do Auxílio Brasil".
Em relação ao preço dos combustíveis, Janones destacou que, se for eleito, vai mudar a política adotada pela Petrobras.
"Mudar a política de preços da Petrobras não atrelando mais o preço do barril à cotação internacional do dólar. [...] Essa política adotada hoje, não existia até 2015, foi implementada no governo Temer", disse.
O deputado destacou ainda que não é negacionista e apoia o uso medicinal da cannabis, e também se mostrou favorável no debate sobre a redução da maioridade penal.
"Defendo o uso medicinal de alguns tipos de substância, quem vai dizer é a ciência, eu não discuto com a ciência, não sou negacionista [...] Considero que a política é falha, mas isso não pode ser justificativa para liberar o uso de drogas. [...] Esta é uma das mais polêmicas, sou a favor da redução da maioridade penal hoje", afirmou.
Mesmo com posicionamentos declarados para algumas pautas de comportamento, Janones prefere não se rotular quanto ao campo ideológico.
"Ficar em cima do muro é o lugar mais difícil, é preciso equilíbrio", disse.
História
Filho de pai cadeirante e mãe empregada doméstica, André Janones disse que sua trajetória "sempre foi de superação". O pré-candidato à Presidência da República foi cobrador de ônibus e vendedor de sorvete.
Passou no vestibular de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, mas não pode cursar por não ter condições de se manter. Depois de ganhar uma bolsa de estudos de 75% para cursar Direito, Janones precisou completar os outros 25% com o salário de cobrador de ônibus.
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