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Revitalizar centros urbanos pode ajudar a reduzir déficit habitacional

Prédios reformados ajudam a dar dignidade a famílias de baixa renda

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Revitalizar centros urbanos pode ajudar a reduzir déficit habitacional
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Segundo especialistas, a revitalização dos centros urbanos, com a reforma e transformação de prédios abandonados em moradias, ajuda a reduzir o déficit habitacional. Um exemplo está no centro de São Paulo. Um antigo hotel de luxo, que faliu há cerca de vinte anos, foi revitalizado e virou residência de famílias de baixa renda.

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A autônoma dona Cida, Maria Aparecida Rodrigues, mora agora no apartamento 104, com uma sala, dois quartos, um banheiro e cozinha. Tudo muito diferente de quando o prédio foi ocupado, 11 anos atrás. A dona Cida estava lá, na época, em busca de um lugar para dormir.

"Se você entra aqui hoje, você não acredita que é o mesmo lugar", diz.

O espaço é o mesmo, mas ganhou uma cara nova. O antigo hotel Lord Palace, no centro de São Paulo, foi inaugurado em 1958. O piso de mármore e a escada de madeira ficaram de herança. Hoje, o edifício é a residência de 113 famílias. A de dona Socorro Moraes Silva é uma delas. A diarista conta que durante a ocupação chegaram a morar em meio aos ratos e baratas. 

"Limpamos primeiro para poder entrar e hoje assim tudo lindo, maravilhoso, não dá nem para acreditar. Eu chego aqui à noite, eu entro e falo, gente, será que é verdade, é verdade sim"

O moradores que vivem aqui ganham até 3 salários mínimos e vão pagar, no máximo, R$ 180 reais por mês, durante dez anos. Uma conquista do movimento Frente de Luta por Moradia. O coordenador do movimento, Osmar Borges, fala que programas sociais propiciam realizações como essa.

"Esse programas do Minha Casa Minha Vida, faixa 1, subsidia praticamente 90% da construção. Até porque, se não subsidiasse, eles não poderiam ocupar essas unidades" 

O prédio tem, na fachada, uma homenagem à Elza Soares que, na década de 1960, junto com Garrincha, famoso ex-jogador de futebol, já falecido, chegou a ser barrada no hotel por ser negra. A figura da cantora simboliza que hoje as portas estão abertas para todos, como reforça a artista visual e muralista, Priscila Barbosa.

"Ela (Elza Soares) é madrinha desse lugar, que antes era uma ocupação e hoje é um residencial que leva o nome dela"

A infra-estrutura já existia, mas para receber as famílias, o antigo hotel precisou passar por uma reforma. Segundo especialistas, é mesmo necessário fazer um projeto arquitetônico para que os prédios antigos se transformem em moradia. Isso ajudaria a revitalizar o centro urbano da maior cidade do país e, ao mesmo tempo, diminuiria o déficit habitacional, diz o arquiteto e urbanista, Rodrigo Rubido. 

"Enquanto você tem um prédio vazio, você tem toda uma estrutura urbana ali funcionando que poderia estar sendo aproveitada. Eu acho que é uma forma muito inteligente de usar essa estrutura e é uma solução que os movimentos de moradia têm apontado há muito tempo"

A capital paulista tem quase cento e 170 mil moradores cadastrados na lista de demanda habitacional. Mas, segundo a prefeitura, o número de pessoas que buscam domicílio ultrapassa um milhão. No Brasil, o déficit habitacional chega a quase 4 milhões de moradias. O Rodrigo Rubido lembra a contradição. 

"Você tem as pessoas morando na rua e tem prédios vazios, você tem um ambiente urbano inóspito, enquanto o quê pode revitalizar o centro, existe revitalização com pessoas. É mais do que desperdício. é questão de qualificar a cidade"

Transformar edifícios abandonados em moradia popular pode ser uma das saídas para que mais pessoas tenham um canto para viver, diz a funcionária de uma creche, Eliana Pereira Miranda. 

"A minha maior vontade é ver essas pessoas que estão em situação de rua, que é muito triste, muito impactante, que eles tivessem um teto para morar né, como eu hoje"


 

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