Indígenas denunciam estupro de meninas e mulheres por garimpeiros
Pelo menos três adolescentes morreram depois de serem drogadas e abusadas dentro da reserva Yanomami

SBT Brasil
Indígenas da etnia Yanomami denunciam o estupro de meninas e mulheres por garimpeiros que invadiram a reserva, que ocupa parte dos estados de Amazonas e Roraima e é considerada a maior do país. Os relatos fazem parte do relatório da Associação Hutukara, que representa a etnia.
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Segundo o documento, as jovens teriam sido embriagadas ou dopadas, e depois, abusadas pelos invasores. Pelo menos 3 adolescentes morreram em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis, depois das agressões. Em outro episódio, um garimpeiro ofereceu drogas e bebidas aos indígenas e, quando todos já estavam inconscientes, violentou uma criança.
O líder Yanomami Dário Kopenawa conta que alguns invasores chegaram a oferecer alimentos em troca de sexo. "Dizendo: 'Olha, se você tem mulher, se você tem filha, traz para cá e eu troco com a comida, até eu fazer sexo'", disse o Kopenawa.
O relatório revela ainda que, no ano passado, as áreas de garimpo ilegal dentro da reserva cresceram 46% em comparação com o ano passado. A pista de pouso, que dá acesso a um posto de saúde dedicado à comunidade, por exemplo, já foi completamente tomada por garimpeiros.
Indígenas relatam que fraudes na declaração de origem do ouro extraído na reserva, além da fragilidade das políticas públicas de proteção ambiental e dos direitos dos originários têm deixado a etnia cada vez mais vulnerável.
"Se o Governo Federal não tomar providência, vai ter uma grande violência, vai derramar muito sangue, vai dar muita morte entre Yanomami e garimpeiro, acontecerá a confusão muito grande", acrescentou Dário Kopenawa.
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