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Risos e ironias: policiais trocaram mensagens após morte de jovem no RS

PMs são acusados de assassinar Gabriel Marques após abordagem em São Gabriel

Imagem da noticia Risos e ironias: policiais trocaram mensagens após morte de jovem no RS
Montagem de foto com jovem negro de óculos e à esquerda abordagem policial
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O relatório do inquérito policial militar revelou diálogos entre os três policiais acusados de envolvimento no assassinato do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, em São Gabriel (RS). O rapaz foi encontrado morto uma semana após uma abordagem dos agentes, ocorrida em 12.ago

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Os diálogos, trocados em um aplicativo de mensagens, mostram os policiais preocupados com o decorrer do caso, além de fazer piadas e rir da situação. Parte das mensagens foi apagada, mas o conteúdo foi recuperado pelo núcleo de perícia do Ministério Público. 

No dia seguinte ao desaparecimento de Gabriel, o soldado Cleber de Lima enviou para o segundo-sargento Arleu Cardoso Jacobsen um print de uma rede social sobre o sumiço do jovem. Em resposta, Jacobsen fez piada da situação: "Culpa do Gordinho... Com a barriga cheia de baurú... Kkk". Gordinho seria o soldado Raul Pedroso, apontado por testemunhas como autor das agressões com um cassetete na cabeça do jovem. 

Dias após, os três PMs demonstraram preocupação com o avanço das investigações. Em 13.ago, o sargento Pedoso diz: "Tomara que não dê ladaia. Só dá ladaia se aquela mulher da casa abrir a boca". "Ladaia" é uma gíria para incomodação. E completa: "Não tava em 30", querendo dizer que Gabriel não tinha morrido. Em resposta, Lima afirma: "Só se saiu e morreu de frio".  

Na sequência, "Só se for, mas acho que não. Ia seguir a estrada. Não ia largar pelos campos", diz Pedroso. "Ou se atirou no açude ali perto haha", responde Lima, rindo. 

O laudo pericial apontou lesões, excluindo a possibilidade de afogamento, mesmo com o corpo encontrado na água. Não havia líquido nos pulmões, sugerindo que a morte ocorreu antes. Pedroso e Jacobsen também comentaram sobre as buscas.  

O documento com as mensagens conclui que os questionamentos dão mostras de que os policiais sabiam onde o jovem estava e que a guarnição agiu em conjunto para ocultá-lo. 

"Temos que se mexer. Mas precisamos pensar junto agora", escreveu Pedroso. "Sim... Como foi nosso depoimento... Não fizemos nada... A não ser dar uma 44 pra tirar o cara do local da OC", respondeu Jacobsen ? "44" significa "carona" e "OC", "ocorrência". 

O relatório do inquérito concluiu que os policiais tentaram omitir informações e que após a abordagem, os agentes conduziram Gabriel no porta-malas e abandonaram a vítima gravemente ferida. Há, também, fortes indícios de que os PMs jogaram o corpo do rapaz no açude para ocultar o crime. Os três policiais estão indiciados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. 

Gabriel estava na cidade para cumprir o alistamento militar. 

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